
Sol Sertão Online
Colunista
A farmacêutica Novo Nordisk registrou vendas superiores às expectativas para a versão em comprimido do Wegovy, o popular medicamento para perda de peso. O resultado positivo levou a companhia a elevar suas projeções financeiras para o ano, consolidando a transição de usuários das versões injetáveis para o formato oral, que é menos intimidante para grande parte dos pacientes.
Apesar do sucesso recente, a empresa enfrenta um cenário de alta competitividade. A rivalidade com a gigante americana Eli Lilly intensificou-se, com a concorrente superando as vendas da Novo Nordisk nos Estados Unidos no último ano. Somado a isso, a expiração da patente da semaglutida em mercados estratégicos, como Índia e China, abre caminho para a entrada de versões genéricas mais baratas.
A companhia também atravessa um período de ajustes estruturais. Após atingir o posto de empresa mais valiosa da Europa em 2023, a Novo Nordisk enfrentou a queda no valor de suas ações e a necessidade de demitir milhares de funcionários globalmente, reflexo de uma dependência excessiva de um único princípio ativo e da demora em diversificar seu portfólio de produtos.
O epicentro da produção, a cidade de Kalundborg, na Dinamarca, transformou-se em um polo global da revolução contra a obesidade. Com investimentos de US$ 9,3 bilhões desde 2021, a região experimentou um crescimento urbano acelerado, com a construção de mais de mil novas residências e a expansão de infraestruturas rodoviárias para conectar a cidade à capital, Copenhague.
Embora a cidade tenha sentido o impacto dos cortes de pessoal, a presença da gigante farmacêutica continua sendo o principal motor econômico local. O crescimento atraiu mão de obra internacional e impulsionou setores de construção e serviços, embora tenha gerado escassez de profissionais em áreas tradicionais, como a mecânica, devido à absorção de trabalhadores pela fábrica.
Para recuperar terreno, a Novo Nordisk adotou uma nova mentalidade comercial, especialmente no mercado americano. A introdução de doses mais elevadas e a aposta no comprimido — que já soma mais de 2 milhões de prescrições — expandiram o público-alvo para além dos usuários de injeções.
A empresa também implementou reduções de preços e descontos em programas de saúde governamentais para ampliar o acesso ao medicamento, buscando equilibrar a lucratividade com a necessidade de manter a liderança em um mercado cada vez mais disputado.
Referência: Informações adaptadas de CNN Brasil.
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