
Sol Sertão Online
Colunista
Wall Street segue em ritmo de forte ascensão, demonstrando resiliência mesmo diante da volatilidade geopolítica no Oriente Médio. No início de maio, os índices Nasdaq e S&P 500 renovaram recordes históricos, fechando a sexta-feira (8) com ganhos de 1,71% e 0,84%, respectivamente.
O otimismo teve início em abril, mês em que o Nasdaq registrou alta superior a 15% — o melhor desempenho desde 2020 —, enquanto o S&P 500 subiu 10% e o Dow Jones avançou mais de 7%. Esse movimento foi impulsionado, principalmente, pelo entusiasmo com a inteligência artificial e por resultados corporativos sólidos. Dados da LSEG revelam que 83% das empresas do S&P 500 superaram as estimativas de lucros no primeiro trimestre.
Apesar da alta nos índices, o cenário econômico apresenta contradições. O preço do petróleo Brent manteve-se acima de US$ 100 o barril, refletindo as tensões no Estreito de Ormuz, onde houve troca de ataques entre Estados Unidos e Irã, mesmo sob um cessar-fogo formalmente declarado por Donald Trump.
O aumento nos custos de energia já é sentido no consumidor americano, com a gasolina atingindo a média de US$ 4,53 por galão. Especialistas alertam que, caso a oferta global de petróleo seja severamente comprometida, o mercado poderá enfrentar um cenário de estagflação, combinando inflação alta e estagnação econômica.
No âmbito monetário, o Federal Reserve manteve as taxas de juros estáveis, entre 3,5% e 3,75%. A expectativa do mercado é que esse patamar seja mantido por um longo período, com possibilidades de redução apenas em 2027. Complementando a solidez econômica, o relatório Payroll indicou a criação de 115 mil empregos em abril, mantendo a taxa de desemprego em 4,3%.
Para o Brasil, a dinâmica global gera reflexos ambivalentes. Se, por um lado, a alta do petróleo beneficia a Petrobras e outras exportadoras de energia, por outro, a pressão inflacionária global reduz a aversão ao risco e limita a margem para cortes mais agressivos na taxa Selic pelo Copom.
Essa conjuntura tem provocado volatilidade no Ibovespa, que reage tanto à reprecificação da inflação doméstica quanto ao fluxo de capital estrangeiro, motor principal da bolsa brasileira.
Referência: Informações adaptadas de CNN Brasil.
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