Caio Alves da Gama
Colunista
O desempenho eleitoral de um partido político no Brasil é diretamente proporcional aos recursos públicos que ele recebe. Essa dinâmica, centrada no financiamento público através do Fundo Eleitoral e do Fundo Partidário, explica o fortalecimento das legendas com maiores bancadas e a luta pela sobrevivência das menores.
O sistema de financiamento partidário no país é baseado na premissa de que quanto maior a representatividade de uma sigla nas urnas, maior a sua fatia de recursos. Essa lógica se aplica tanto ao Fundo Partidário, destinado à manutenção das estruturas partidárias, quanto ao Fundo Eleitoral, utilizado para custear campanhas eleitorais.
Para ter acesso a esses fundos, os partidos precisam atingir critérios mínimos de votação e de eleição de parlamentares. Aqueles que não cumprem essas exigências caem na chamada cláusula de desempenho, ficando sem acesso a esses recursos e ao tempo de propaganda em rádio e televisão.
Em 2025, o Fundo Partidário bateu um recorde de distribuição, alcançando R$ 1,1 bilhão, que foram repassados a 19 partidos. Os partidos com as maiores bancadas na Câmara, PL e PT, foram os que mais receberam verbas. No ano anterior, dez legendas ficaram de fora dessa divisão.
A busca por garantir acesso a esses recursos e evitar a exclusão tem impulsionado o crescimento de estratégias como fusões e federações partidárias. Atualmente, o Brasil conta com cinco federações, incluindo PSOL-Rede e PSDB-Cidadania.
Bruno Lorencini, professor de Direito Eleitoral pela Universidade de São Paulo e pela Universidade Mackenzie, avalia que o modelo atual tende a concentrar dinheiro nos partidos maiores. Ele explica que mais recursos significam maior investimento em campanhas e maior capacidade de capilaridade.
Por outro lado, Lorencini aponta que a cláusula de desempenho visa coibir a proliferação de partidos pequenos sem representatividade. O especialista acredita que a intenção é equilibrar o acesso político e a representação de minorias com a necessidade de evitar a criação de legendas meramente oportunistas.
Referência: Informações adaptadas de G1.
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