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Sol Sertão Online
Colunista
Registros financeiros do Banco Master revelam que, em 2024, a venda de operações de crédito consignado para a empresa CredCesta gerou receitas superiores aos juros obtidos com as mesmas operações. Os dados, que compõem a escrituração contábil do banco e foram encaminhados pela Receita Federal à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre crime organizado, mostram que o Master registrou uma receita de R$ 1,6 bilhão com a alienação de parte das operações do CredCesta. Em contrapartida, os juros provenientes dos empréstimos consignados renderam ao banco R$ 709 milhões no mesmo período.
Entre 2022 e 2024, a receita total obtida com a venda da carteira de consignados do CredCesta atingiu R$ 2,4 bilhões, superando os R$ 1,9 bilhão gerados pelas operações em si. Essa discrepância sugere que o Banco Master, sob a gestão de Daniel Vorcaro, apostava no ágio obtido com a revenda dessas carteiras, estratégia que busca um ganho futuro em transações financeiras.
Em 2024, o Banco Master reportou um direito a receber de R$ 10,5 bilhões relacionado ao CredCesta, valor que pode se originar de novos empréstimos consignados ou da recompra de carteiras anteriormente vendidas. No mesmo período, o banco informou ter baixado R$ 14,4 bilhões, seja pelo recebimento de parcelas ou pela venda de parte da carteira a terceiros.
As informações detalhadas sobre as instituições financeiras adquirentes em 2024 não foram divulgadas. Contudo, investigações da Polícia Federal indicam que as relações entre o Banco Master e o Banco Regional de Brasília (BRB) se iniciaram em junho daquele ano. O CredCesta, que começou como um cartão de benefício consignado para servidores públicos, aposentados e pensionistas, foi a porta de entrada do Banco Master no mercado de crédito consignado e estabeleceu uma ligação com o PT da Bahia.
Em 2018, o empresário Augusto Lima foi o único licitante na privatização da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), que incluía a rede de supermercados Cesta do Povo e o programa de consignado. O processo foi supervisionado pelo então governador Rui Costa, atual ministro da Casa Civil, e por Jaques Wagner, então secretário de Desenvolvimento Econômico e atual líder do governo no Senado.
O edital de privatização assegurou a transferência dos “direitos de exploração comercial” do CredCesta ao comprador por 15 anos, garantindo a continuidade das operações. Além disso, permitiu a manutenção dos limites de crédito consignado em folha e a ampliação das funcionalidades do cartão, incluindo serviços financeiros e securitários. Augusto Lima não apenas herdou o CredCesta, mas expandiu seu uso para além da compra de alimentos.
Duas semanas após a privatização, Rui Costa editou um decreto que reorganizou o CredCesta, transformando-o em um cartão de crédito consignado com descontos automáticos na folha de pagamento, definindo limites e regras de uso. Essa combinação de cláusulas do edital e do decreto valorizou o CredCesta, que apresentava uma base de clientes garantida, baixo risco de inadimplência e potencial de expansão, em contraste com as dificuldades enfrentadas pelo Cesta do Povo.
Em nota, Jaques Wagner confirmou ter conhecido Augusto Lima em 2017, durante o processo de privatização da Ebal, quando sua pasta conduzia a venda do Supermercado Cesta do Povo e o empresário apresentou a proposta vencedora.
Um documento interno do BRB aponta que, na época da aquisição do Banco Master, a equipe técnica já sabia que parte das carteiras de crédito consignado oferecidas por Daniel Vorcaro não possuía lastro, ou seja, eram problemáticas. A análise abrangeu 1,9 milhão de contratos de 615 mil clientes, indicando uma média de três contratos por cliente.
O mesmo documento do BRB revela que algumas operações repassadas ao banco foram adquiridas pelo Master e tiveram suas firmas reconhecidas dois dias antes de serem apresentadas ao BRB. As carteiras em questão, pertencentes à Tirreno, foram compradas pelo Master por R$ 6,3 bilhões e revendidas ao BRB por R$ 11,5 bilhões.
Referência: Informações adaptadas de G1.
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