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Sol Sertão Online
Colunista
A União Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal destinados ao consumo humano. Embora a decisão tenha causado surpresa ao governo brasileiro, a medida não possui efeito imediato, com a entrada em vigor programada apenas para o dia 3 de setembro.
Caso a decisão não seja revertida até a data limite, o setor exportador brasileiro poderá enfrentar uma perda anual estimada em 1,8 bilhão de dólares, segundo dados do Ministério da Agricultura. A restrição abrange a carne bovina — principal produto afetado —, além de aves, ovos, mel, peixes e equinos.
Apesar do valor expressivo, a medida não deve provocar queda nos preços internos das carnes, uma vez que a União Europeia não é o principal destino das exportações brasileiras. Atualmente, a China lidera as importações com 48% do volume total, seguida pelos Estados Unidos. A UE ocupa a quarta posição no ranking de compradores de carne bovina.
É importante destacar que o bloco europeu não alegou contaminação nos produtos brasileiros. O veto é de natureza regulatória, fundamentado na falta de garantias suficientes sobre o controle do uso de antimicrobianos na pecuária.
A União Europeia exige a comprovação rigorosa de que substâncias utilizadas para tratar doenças ou estimular o crescimento animal não sejam as mesmas essenciais para a medicina humana, visando evitar a resistência antimicrobiana. O impasse envolve a necessidade de maior rastreabilidade sanitária e certificações documentais ao longo de toda a cadeia produtiva.
O governo brasileiro, por meio dos ministérios das Relações Exteriores, da Agricultura e Pecuária e do Desenvolvimento, afirmou que adotará todas as medidas necessárias para anular a decisão. O embaixador do Brasil junto à União Europeia já busca esclarecimentos com autoridades de saúde animal do bloco.
Para retomar a autorização, o Brasil precisará ampliar as restrições legais aos medicamentos utilizados no campo ou implementar mecanismos mais rígidos de rastreabilidade. Paralelamente, as associações do setor, como a Abiec e a ABPA, defendem que a produção nacional já cumpre os requisitos exigidos e que trabalharão para demonstrar a conformidade técnica às autoridades europeias.
Referência: Informações adaptadas de G1.
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