
Sol Sertão Online
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Em um cenário de paz incerta, Estados Unidos e Irã se preparam para iniciar uma nova rodada de negociações em Islamabad, Paquistão. A expectativa é que este encontro marque um ponto crucial para o fim do conflito na região, que já dura um período considerável. O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, anunciou que as conversas teriam início nesta sexta-feira (10), após intermediar um acordo preliminar para a pausa nos combates por duas semanas, divulgado na última terça-feira (7).
A delegação americana, liderada pelo vice-presidente JD Vance, tem chegada prevista para este sábado (11). A comitiva também contará com a presença de Steve Witkoff, enviado especial de Donald Trump para o Oriente Médio, e Jared Kushner, genro do ex-presidente e figura frequente em negociações diplomáticas. Contudo, a trégua que antecede estas conversas tem se mostrado extremamente volátil, com relatos de violações e o fechamento, considerado "de facto", do Estreito de Ormuz.
O acordo previa a paralisação dos ataques de EUA e Israel ao território iraniano em troca da reabertura do Estreito de Ormuz. No entanto, na manhã de quarta-feira (8), ataques de ambos os lados foram registrados. O Irã reagiu ao bombardeio israelense no Líbano, que atingiu o grupo Hezbollah, aliado de Teerã. Israel justificou a ação alegando que o front libanês não estava incluído na trégua, uma declaração que diverge da interpretação iraniana e paquistanesa, que defendem a interrupção de todos os combates.
O Líbano reportou que o ataque israelense resultou na morte de mais de 250 pessoas, a vasta maioria civis, no que é considerado o bombardeio mais pesado sofrido pelo país em um único dia.
Ainda na quinta-feira (9), o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Saeed Khatibzadeh, declarou que o Estreito de Ormuz estava aberto, mas com restrições de passagem e alertas sobre o risco de minas navais, com a Guarda Revolucionária coordenando o tráfego. Na prática, o estreito permaneceu praticamente fechado. O ex-presidente Donald Trump criticou o Irã, afirmando que "rapidamente veremos o petróleo voltar a fluir, com ou sem a ajuda do Irã".
O Irã também denunciou ataques a ilhas iranianas durante a vigência da trégua, enquanto países do Golfo, como Arábia Saudita e Kuwait, relataram ataques de mísseis e drones iranianos.
A trégua anunciada é, por natureza, uma pausa, ocorrendo em paralelo às negociações oficiais para um acordo de paz definitivo. No entanto, a resolução de divergências profundas entre EUA e Irã é um desafio significativo.
O Irã apresentou aos EUA, via Paquistão, um plano de dez pontos como condição para o fim da guerra. Donald Trump inicialmente considerou a proposta uma "base viável", mas posteriormente afirmou que "apenas alguns pontos" eram aceitáveis. A Casa Branca, por sua vez, classificou o plano original como "inaceitável", indicando que as negociações se baseariam em uma nova proposta iraniana, descrita como "mais condensada e razoável". O conteúdo desta nova proposta não foi divulgado, enquanto o Irã insiste na validade da lista original.
Um dos pontos centrais de discórdia é a manutenção do programa de enriquecimento de urânio pelo Irã. O Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã alegou que Washington concordou com o termo, o que foi negado por Trump, que prometeu "escavar" todo o urânio enriquecido do solo iraniano. Relatos da Associated Press indicaram inconsistências nas versões do acordo, com a versão em persa mencionando "aceitação do enriquecimento", ausente nas versões em inglês compartilhadas com a imprensa.
O enriquecimento de urânio é polêmico devido ao potencial de produção de armas nucleares. O urânio natural, com baixa concentração de U-235, pode ser enriquecido a níveis mais altos. Concentrações de 3% a 5% são usadas em usinas nucleares, enquanto níveis acima de 20% são para pesquisa. Acima de 90%, o material pode ser utilizado na fabricação de armas nucleares, sendo um processo rigorosamente monitorado pela Agência Internacional de Energia Atômica.
O Paquistão e o Irã afirmam que a trégua abrange o Líbano, impedindo ataques ao país. Contudo, Israel e os Estados Unidos sustentam que o Líbano e o combate ao Hezbollah estão fora do escopo do acordo. Nesta quarta-feira, forças israelenses executaram o maior ataque ao Líbano desde o início da guerra, resultando em 254 mortos e mais de 830 feridos, segundo autoridades libanesas.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, anunciou na quinta-feira (9) que Israel iniciará negociações de paz com o Líbano, que incluirão o desarmamento do Hezbollah. As negociações, que ocorrerão separadamente nos EUA, estão previstas para começar na semana seguinte.
Referência: Informações adaptadas de G1.
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