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Caio Alves da Gama
Colunista
Em Salvador, uma fábrica tradicional no bairro do Pau Miúdo mantém viva há mais de seis décadas a arte de confeccionar os icônicos bonecos de Judas. Estes bonecos, que simbolizam a traição e são tradicionalmente agredidos ou queimados durante a Semana Santa, continuam a ser uma parte importante das celebrações baianas.
A iniciativa de perpetuar essa tradição foi de Florentino Moreira Sales, um fabricante de fogos que, após seu falecimento em 2006, deixou o comando do ateliê para seus antigos colaboradores. O desejo de Florentino era que a arte não se perdesse no tempo, um compromisso que seus sucessores honram com dedicação.
Somente neste ano, a fábrica recebeu cerca de 400 encomendas de bonecos de Judas, distribuídos por diversas regiões do estado. Os preços dos bonecos iniciam em R$ 350, podendo variar conforme as especificações e detalhes solicitados pelos clientes. A confecção é artesanal, utilizando materiais como papel, goma e madeira, e os bonecos são adornados com peças de vestuário diversas, incluindo uniformes de times. Os fogos de artifício, um diferencial da fábrica, são estrategicamente posicionados nos pés dos bonecos, adicionando um espetáculo à tradição.
Apesar da resiliência, a confecção e a tradição dos bonecos de Judas enfrentam desafios crescentes. Os próprios artesãos e historiadores apontam uma diminuição na procura em comparação com anos anteriores. Fatores como a menor mobilização popular, o desejo de viajar durante o período, a diminuição da prática religiosa católica e o surgimento de novas formas de entretenimento contribuem para essa tendência.
O historiador Jaime Nascimento contextualiza que a manifestação, com raízes na influência católica e portuguesa, celebra a condenação de Judas Iscariotes pela sua traição a Jesus Cristo. Originalmente, os bonecos eram malhados ou queimados, e em algumas regiões, a figura de Judas era associada a características negativas como ser canhoto. Com o tempo, tornou-se comum personalizar os bonecos com rostos de figuras indesejadas, como políticos e criminosos.
Um elemento que acompanha o ritual é o testamento do Judas, um documento fictício que, a cada ano, ganha versões adaptadas aos pedidos dos encomendantes. Este texto, com introduções que evocam a traição e a condenação, serve como um complemento simbólico à destruição do boneco.
Apesar dos desafios, a fábrica em Pau Miúdo segue firme em seu propósito, celebrando e preservando um pedaço significativo da cultura popular baiana.
Referência: Informações adaptadas de G1.
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