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Sol Sertão Online
Colunista
O Brasil consolidou-se no centro de uma complexa disputa geopolítica global devido à posse da segunda maior reserva de terras raras do mundo. Esses elementos tornaram-se peças-chave na corrida pela energia limpa e pelo avanço tecnológico, transformando o país em um interlocutor estratégico em reuniões de alto nível, como o encontro desta quinta-feira (7) entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, nos Estados Unidos.
Apesar do nome, esses 17 elementos químicos da Tabela Periódica não são necessariamente raros na crosta terrestre, nem são compostos por terra. Eles são descritos como as "vitaminas" da indústria tecnológica devido à sua altíssima eficiência e propriedades magnéticas e elétricas superiores.
Esses componentes são essenciais para a fabricação de motores de carros elétricos, turbinas eólicas e smartphones. Graças à sua estrutura atômica peculiar, permitem a criação de aparelhos minúsculos, porém extremamente poderosos, que mantêm o desempenho mesmo sob altas temperaturas.
O grande obstáculo brasileiro não é a extração, mas o processamento. A separação desses elementos é um processo industrial exaustivo, caro e quimicamente complexo, o que torna o refino o verdadeiro gargalo tecnológico. Atualmente, a China domina 90% do processamento mundial, utilizando esse controle como ferramenta de pressão política.
Para o Brasil, o risco é repetir o ciclo das commodities, como ocorre com a soja e o minério de ferro: exportar a matéria-prima bruta a preços baixos e importar produtos finais, como chips e motores, com alto valor agregado.
A abundância de terras raras no Brasil é fruto de uma combinação rara de origem vulcânica, clima tropical e tempo, com destaque para a Província Ígnea do Alto Paranaíba, em Minas Gerais e Goiás. Recentemente, a descoberta de argilas iônicas abriu novas possibilidades de mineração, embora exija cautela rigorosa devido aos impactos ambientais, como a lixiviação do solo e o manejo de resíduos radioativos (tório e urânio).
Diante da urgência dos Estados Unidos em encontrar fornecedores alternativos à China, o Brasil utiliza suas reservas como moeda de troca em agendas que envolvem tarifas comerciais e cooperação econômica. Para fortalecer essa posição, a Câmara dos Deputados aprovou a Política Nacional para a Exploração de Minerais Críticos.
A nova legislação prevê a criação de um fundo de até R$ 5 bilhões para incentivar a instalação de indústrias de transformação no país. O objetivo central do governo é condicionar parcerias internacionais à transferência de tecnologia, permitindo que o Brasil deixe de ser apenas um fornecedor de insumos para se tornar uma potência tecnológica global.
Referência: Informações adaptadas de G1.
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