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Sol Sertão Online
Colunista
Os Países Baixos, apesar de possuírem um território reduzido, consolidaram-se como o terceiro maior exportador de alimentos do mundo em valor monetário. O segredo desse sucesso reside no chamado Food Valley, um ecossistema de inovação centrado na Universidade e Centro de Pesquisa de Wageningen (WUR), onde a ciência e a indústria trabalham em estreita colaboração.
A produção agrícola holandesa utiliza estufas de alta tecnologia que operam como verdadeiros laboratórios. Através de sensores avançados e algoritmos de inteligência artificial, variáveis como níveis de gás e a cor da luz são monitoradas e ajustadas em tempo real. O impacto é drástico: enquanto estufas convencionais na América Latina produzem cerca de 20 kg de tomates por metro quadrado ao ano, o sistema de Wageningen alcança até 100 kg por metro quadrado.
Além disso, a adoção de substratos em vez do solo permite um controle rigoroso de nutrientes e a reutilização quase total da água de irrigação, reduzindo significativamente a poluição ambiental.
O grande gargalo da produção intensiva nos Países Baixos é o consumo de energia para aquecimento e iluminação devido ao clima frio. Para enfrentar isso, pesquisadores desenvolvem formas de utilizar as plantas como "baterias", permitindo que elas acumulem reservas de açúcar em períodos de energia barata e as utilizem em momentos de maior rigor climático.
A inovação também chega à pecuária. Projetos globais buscam reduzir as emissões de metano de ruminantes através da genética, enquanto a inteligência artificial é aplicada no monitoramento do comportamento animal via vídeo para garantir maior bem-estar às criações.
Especialistas alertam que a tecnologia holandesa não deve ser aplicada como um simples "copia e cola". Enquanto a Holanda luta para aquecer suas estufas, a América Latina, especialmente em regiões tropicais, enfrenta o desafio oposto: a necessidade de resfriamento ativo e a gestão da alta radiação solar.
No entanto, a adaptação inteligente de sistemas de hidroponia e irrigação por gotejamento é vista como fundamental para aumentar a produtividade e a segurança alimentar na região, preservando os recursos naturais e integrando desde o pequeno agricultor familiar até os grandes produtores agroindustriais.
Referência: Informações adaptadas de G1.
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