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Sol Sertão Online
Colunista
Uma medida sanitária da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) contra a marca Ypê transformou-se em um intenso debate político nas redes sociais. A determinação inicial previa o recolhimento de detergentes lava-louças, sabões líquidos para roupas e desinfetantes produzidos na unidade de Amparo, no interior de São Paulo.
A Anvisa identificou falhas no processo de fabricação e risco de contaminação microbiológica nos lotes cuja numeração termina em 1. Diante disso, a agência determinou a suspensão da fabricação, comercialização, distribuição e uso dos itens afetados.
Embora a Ypê tenha conseguido suspender temporariamente os efeitos da medida por meio de um recurso administrativo, a Anvisa ressaltou que não revisou sua avaliação técnica sobre o risco. Portanto, a recomendação para que os consumidores não utilizem os produtos dos lotes atingidos permanece válida até a decisão definitiva. A empresa informou que manteve parte da produção paralisada para implementar as adequações exigidas pelo órgão.
O episódio rapidamente extrapolou a questão da saúde pública. Apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro passaram a acusar o governo de Luiz Inácio Lula da Silva de perseguição política contra a empresa. A controvérsia baseia-se no fato de que membros da família Beira, controladora da Química Amparo (dona da marca Ypê), doaram R$ 1 milhão à campanha de reeleição de Bolsonaro em 2022, conforme dados do TSE.
A relação da companhia com o bolsonarismo já havia sido questionada anteriormente; em 2022, a empresa foi condenada pela Justiça do Trabalho por assédio eleitoral após promover uma transmissão ao vivo interna em apoio ao ex-presidente.
Nas redes sociais, a situação gerou uma campanha informal de apoio à marca. Políticos como o senador Cleitinho e o vice-prefeito de São Paulo, Ricardo Mello Araújo, além da cantora Jojo Todynho, publicaram vídeos utilizando os produtos e criticando a atuação da Anvisa.
Internautas também compartilharam memes e sugeriram que a empresa alterasse cores de embalagens para evitar referências ao PT, incentivando a compra dos produtos como forma de protesto político.
Apesar da pressão nas redes, o Centro de Vigilância Sanitária (CVS) de São Paulo reiterou que o risco sanitário segue sob análise e orientou a população a evitar os lotes afetados. A Anvisa deve se reunir nesta semana para julgar o recurso da Ypê e decidir se mantém ou revoga a suspensão.
Em nota oficial, a Ypê afirmou que a segurança de seus consumidores é sua prioridade máxima.
Referência: Informações adaptadas de G1.
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