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Sol Sertão Online
Colunista
A Suprema Corte dos Estados Unidos tomou uma decisão que enfraquece um dos principais mecanismos da Lei dos Direitos de Voto, legislação histórica de 1965 criada para combater a discriminação racial no processo eleitoral norte-americano.
Sancionada durante o auge do movimento pelos direitos civis, a lei surgiu após episódios de violência contra manifestantes negros com o objetivo central de impedir que estados adotassem regras que dificultassem o acesso de minorias raciais às urnas.
Diferente do sistema proporcional utilizado no Brasil, os deputados nos Estados Unidos são eleitos por distritos. Periodicamente, os mapas que definem as fronteiras dessas áreas são redesenhados, um processo chamado de redistritamento. Quando esse desenho é manipulado para favorecer aliados políticos ou prejudicar opositores, a prática é conhecida como gerrymandering.
Até então, a lei permitia contestar mapas que reduzissem o poder político de minorias, obrigando estados — como ocorreu recentemente na Louisiana — a criar distritos onde eleitores negros ou latinos tivessem maioria para eleger seus representantes.
Com a nova decisão, a maioria conservadora da Suprema Corte determinou que o uso de critérios raciais no desenho dos distritos pode ser inconstitucional. Agora, para que a discriminação seja combatida, será necessário comprovar a intenção deliberada de discriminar, algo consideravelmente mais difícil de provar judicialmente.
A juíza Elena Kagan, em voto divergente, alertou que a medida cria uma barreira quase intransponível para a prova de discriminação eleitoral.
Especialistas indicam que a decisão pode alterar significativamente o mapa político do país. Como distritos com maior concentração de eleitores negros e latinos tendem a votar no Partido Democrata, a nova liberdade para redesenhar os mapas favorece legisladores de estados controlados por republicanos.
Além do impacto nas eleições nacionais, organizações de direitos civis alertam que a medida pode afetar a representatividade em esferas locais, incluindo câmaras municipais e conselhos escolares.
Referência: Informações adaptadas de G1.
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