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Sol Sertão Online
Colunista
Sophia Emanuelly completou 10 anos de vida, um marco que desafiou todas as previsões médicas iniciais. Nascida em janeiro de 2016, no auge da epidemia de Zika vírus, a menina apresenta microcefalia e diversas complicações congênitas. Para sua mãe, Ianka, cada dia é uma vitória, especialmente após ter ouvido que a filha sequer nasceria com vida.
A rotina de cuidados é intensa. Devido a problemas de refluxo e broncoaspiração, Sophia passou por uma cirurgia de gastrostomia há dois anos, alimentando-se atualmente por meio de uma sonda direta no estômago. Além disso, a menina enfrenta quadros de apneia do sono e uma escoliose acentuada que dificulta sua locomoção e exige cuidados constantes.
A trajetória de Ianka ganhou um novo capítulo com a chegada de Vitor Francisco de Lima. Conhecidos via redes sociais, Vitor deixou sua vida em São Paulo para se mudar para Campina Grande, na Paraíba, onde se casou com Ianka em 2023 e adotou Sophia legalmente.
"Ele já quis cuidar da minha filha sem nem começar um relacionamento comigo. Desde que chegou, ele já foi um pai para a Sophia", relata a mãe. Atualmente, a família cresceu com a chegada de Ester e Efraim, trazendo nova dinâmica e alegria para a casa, o que, segundo Ianka, estimula a interação e o sorriso de Sophia.
Um divisor de águas na qualidade de vida da família foi a implementação do PL 6064/23. A legislação prevê o pagamento de uma indenização de R$ 50 mil e uma pensão vitalícia para famílias de crianças com síndrome congênita associada ao vírus Zika.
Ianka, que antes dependia de auxílios mínimos e batalhas judiciais por insumos básicos, passou a receber a pensão mensal equivalente ao teto da Previdência (R$ 8.475,55). O recurso está sendo utilizado para reformar a residência, ampliando o quarto para que Sophia possa realizar sessões de fisioterapia em casa, minimizando o sofrimento causado pelo deslocamento.
De acordo com a Assessoria de Comunicação do INSS, 1.889 famílias já foram indenizadas e 1.850 recebem a pensão vitalícia, enquanto outras 846 aguardam decisão. O órgão ressalta que alguns benefícios foram negados por não atenderem aos requisitos legais, cabendo recurso administrativo ou judicial.
Apesar do suporte financeiro, o trauma do Zika vírus permanece. Ianka relata que as gestações posteriores foram marcadas por ansiedade e medo, refletindo a cicatriz emocional de centenas de mães que enfrentam julgamentos sociais e a luta diária pela sobrevivência e dignidade de seus filhos.
Referência: Informações adaptadas de G1.
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