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Sol Sertão Online
Colunista
O Brasil tornou-se um ponto estratégico na geopolítica tecnológica global, encontrando-se no centro de uma disputa intensa entre Estados Unidos e China. Ambas as potências buscam consolidar sua influência no país por meio da oferta de pacotes completos de Inteligência Artificial (IA), elevando a urgência do debate sobre a soberania digital brasileira.
Em julho de 2025, o governo de Donald Trump assinou uma ordem para exportar ecossistemas integrais de IA, listando o Brasil, o Egito e a Indonésia como destinos prioritários. O objetivo é consolidar a presença americana em mercados emergentes antes que a influência chinesa se torne irreversível.
Washington pretende replicar no Brasil o modelo aplicado ao Japão através do “Technology Prosperity Deal”, assinado em outubro de 2025. Mais do que a simples venda de hardware, esse acordo estabelece um alinhamento normativo, definindo padrões técnicos, frameworks de governança e cooperação em segurança digital, integrando o parceiro estruturalmente à órbita tecnológica dos EUA.
Simultaneamente, o governo brasileiro firmou um memorando de entendimento com Pequim para aprofundar a colaboração em IA. A China opera com um modelo de "full-stack", oferecendo hardware subsidiado e softwares com lógicas fechadas, que replicam o modelo regulatório chinês.
Embora a diplomacia brasileira tente equilibrar as relações com as duas potências, a dependência de infraestruturas estrangeiras cria uma contradição estrutural. Enquanto Brasília negocia com Pequim, recebe investimentos bilionários para a instalação de data centers de gigantes como Microsoft, Amazon e Oracle.
A preocupação central reside no treinamento dos modelos de IA. A maioria dos sistemas utilizados no setor público e privado brasileiro — desde análise de crédito até a gestão de contratos — foi desenvolvida sob padrões e dados americanos, o que impõe vieses estruturais que podem não refletir a realidade nacional.
Além disso, a infraestrutura cognitiva brasileira repousa sobre servidores sujeitos ao CLOUD Act, legislação que permite ao governo dos EUA requisitar dados armazenados por provedores americanos, independentemente de onde o servidor esteja fisicamente localizado.
A ambiguidade brasileira reflete-se também na regulação. Enquanto o Senado busca referências no AI Act europeu para criar governança via Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), a implementação prática é operada por corporações multinacionais americanas. Na prática, o Brasil cria a lei, mas a infraestrutura sobre a qual ela incide é comandada por terceiros.
Apesar dos desafios, o Brasil possui ativos valiosos: é o maior mercado de dados da América Latina, possui uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo — fator crucial para a operação de data centers — e desenvolveu o PIX, referência global em pagamentos digitais. O impasse agora é definir qual o preço da autonomia brasileira ao aceitar pacotes tecnológicos fechados de potências estrangeiras.
Referência: Informações adaptadas de G1.
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