
Sol Sertão Online
Colunista
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central promoveu um corte de 0,25 pontos percentuais na taxa básica de juros, mas foi a redação do comunicado que agitou o mercado financeiro. A inclusão da palavra "extensão" sugere que o ciclo de quedas pode ser interrompido mais cedo do que o previsto, resultando em uma taxa Selic terminal mais elevada.
A postura cautelosa do colegiado levou diversas instituições a revisarem suas expectativas. A SulAmérica Investimentos, por exemplo, elevou sua projeção para 14%, citando a resiliência da atividade econômica e as tensões no Oriente Médio como fatores que dificultam a convergência da inflação à meta.
No mesmo sentido, o Itaú elevou a estimativa da Selic para 2026 para 13,25%. A instituição destacou a piora do cenário inflacionário, impulsionada principalmente pela alta nos preços de combustíveis e alimentos, influenciada por questões climáticas e restrições de oferta.
O debate central agora gira em torno dos chamados "efeitos de segunda ordem", em que choques em commodities podem se espalhar para o setor de serviços e núcleos de inflação, tornando a alta de preços mais persistente e limitando o espaço para novas reduções nos juros.
Enquanto o Santander classificou o tom do Banco Central como "hawkish" (mais rígido), destacando a aceleração da inflação subjacente, casas como Daycoval e ASA ainda acreditam na continuidade dos cortes, porém em ritmo mais moderado, de 0,25 ponto percentual por reunião.
O consenso entre os analistas é que a trajetória da Selic tornou-se agora extremamente dependente da evolução dos dados econômicos, especialmente diante das incertezas do cenário externo.
Referência: Informações adaptadas de CNN Brasil.
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