
Sol Sertão Online
Colunista
Manila, Filipinas — Imagens de câmeras de segurança registraram a tentativa desesperada de fuga do senador Ronald Dela Rosa nos corredores do Senado filipino. O parlamentar, ex-aliado do ex-presidente Rodrigo Duterte, tentou escapar de agentes que buscavam cumprir um mandado de prisão emitido pelo Tribunal Penal Internacional (TPI), em uma perseguição que rapidamente viralizou no país.
O TPI acusa Dela Rosa de conspirar com Duterte em uma brutal campanha antidrogas que resultou na morte de milhares de pessoas. O mandado de prisão, confirmado na última segunda-feira (11), cita especificamente incidentes em que 32 pessoas foram mortas entre 2016 e 2018. Dela Rosa, conhecido pelo apelido "Bato" (Rocha), foi chefe da polícia nacional e é apontado como o executor da tática "oplan tokhang", que envolvia execuções extrajudiciais de suspeitos de tráfico.
Em coletiva transmitida ao vivo, o senador afirmou que este é o "pior momento de sua vida", mas questionou a jurisdição do tribunal internacional, alegando que a prisão só poderia ocorrer com a aprovação do Supremo Tribunal local.
A situação transformou-se em um impasse. Dela Rosa refugiou-se no prédio do Senado por diversas noites, enquanto apoiadores de Duterte organizavam protestos e bloqueios nas ruas próximas. A tentativa de prisão ocorreu em meio a uma crise institucional profunda: a Câmara dos Representantes votou pelo impeachment da vice-presidente Sara Duterte, filha de Rodrigo Duterte, sob acusações de uso indevido de fundos públicos e conspiração.
Para tentar blindar politicamente o clã Duterte, Dela Rosa e outros senadores manobraram a liderança do Senado, nomeando Alan Peter Cayetano para o comando da casa. Logo após a votação, o senador foi colocado sob "custódia protetiva", medida que efetivamente o protegeu da prisão imediata.
A Anistia Internacional Filipinas manifestou-se contrária ao uso do cargo parlamentar como escudo legal. Segundo a organização, é imprescindível que Dela Rosa seja preso imediatamente para responder aos crimes, dado seu papel fundamental no comando da polícia durante a guerra contra as drogas do governo Duterte.
Vale lembrar que o ex-presidente Rodrigo Duterte já foi detido em março de 2025 e transferido para Haia, na Holanda, onde permanece sob custódia do TPI aguardando o início de seu julgamento.
Referência: Informações adaptadas de CNN Brasil.
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