
Sol Sertão Online
Colunista
Pesquisadores da University of Sheffield, na Inglaterra, descobriram que moscas-domésticas e moscas-das-frutas possuem um sistema visual extraordinariamente eficiente, capaz de processar imagens com nitidez mesmo durante movimentos bruscos. A descoberta, publicada na revista Nature Communications, desafia a crença anterior de que esses insetos "paravam de enxergar" momentaneamente ao voar rapidamente.
Diferente dos seres humanos, que tendem a ignorar parte da informação visual durante movimentos rápidos dos olhos, as moscas evoluíram um sistema chamado "salto sináptico de alta frequência". Esse mecanismo ajusta a sensibilidade visual dinamicamente, permitindo que o inseto processe sinais relevantes quase sem atraso.
As medições revelaram que os neurônios visuais das moscas atingem taxas de transmissão de cerca de 4,1 mil bits por segundo. Esse processamento atinge a frequência de 1 mil Hz (mil pulsos por segundo), o que, na prática, funciona como se a mosca enxergasse o mundo em câmera lenta, permitindo reações instantâneas a qualquer estímulo.
Essa descoberta abre portas para a criação de sensores artificiais mais ágeis e eficientes. O objetivo não é copiar a anatomia do inseto, mas sim o seu modelo de processamento: em vez de analisar frames completos de imagem, a IA passaria a processar apenas as mudanças rápidas, focando em eventos específicos.
Essa abordagem pode reduzir drasticamente o consumo de energia e aumentar a precisão de veículos autônomos e robôs, que passariam a priorizar os dados mais importantes no momento exato da ação, reduzindo a latência entre a percepção e a resposta.
Para o professor Aurel Lazar, da Columbia University e coautor do estudo, a chave da eficiência não está no volume de dados, mas na precisão. Segundo ele, a inteligência reside em processar os dados certos na hora certa — um princípio que as moscas já dominam há milhões de anos.
Referência: Informações adaptadas de CNN Brasil.
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