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Sol Sertão Online
Colunista
A prevalência de quadros depressivos e a ideação suicida entre estudantes universitários deixaram de ser casos isolados para se tornarem um desafio cotidiano no ambiente acadêmico. Uma pesquisa abrangente, realizada por especialistas da Universidade Federal Fluminense (UFF), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), revela que a depressão, embora central, não é a única causa desse fenômeno.
Publicado no periódico The Lancet Regional Health – Americas, o estudo buscou identificar fatores psicossociais de vulnerabilidade e proteção. A análise, que envolveu 3.828 participantes e utilizou ferramentas de aprendizado de máquina (Machine Learning), demonstrou que pensamentos de morte ou autolesão podem surgir mesmo na ausência de sintomas depressivos graves.
Os dados revelam que o histórico de maus-tratos emocionais na infância, como abuso e negligência, possui um peso significativo, respondendo por cerca de 22% da influência no modelo de risco. Além disso, a sensação de solidão — entendida como a falta de companhia e conexão, e não apenas o isolamento físico — também se mostrou um indicador relevante para a vulnerabilidade do estudante.
Em contrapartida, a pesquisa destacou o papel do otimismo como um "amortecedor" contra a desesperança. O estudo observou que, quanto maior o nível de otimismo do estudante, menor a probabilidade de desenvolvimento de ideação suicida, reforçando a importância de promover a esperança e o sentimento de pertencimento no ambiente universitário.
Os resultados indicam que as instituições de ensino superior precisam de protocolos de saúde mental mais amplos e integrados. Não basta focar apenas no tratamento da depressão; é fundamental adotar estratégias de identificação precoce que considerem a bagagem biográfica e social do aluno para criar redes de apoio e prevenção mais eficazes.
Referência: Informações adaptadas de G1.
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