
Sol Sertão Online
Colunista
O estado do Rio de Janeiro enfrenta uma crise política sistêmica que se estende por trinta anos, caracterizada por um ciclo recorrente de prisões, cassações e inelegibilidades entre seus chefes do Executivo. A instabilidade tornou-se a marca registrada do Palácio Guanabara, atingindo todos os governadores eleitos no período.
O episódio mais recente envolve Cláudio Castro (PL), que renunciou ao cargo apenas um dia antes de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) declará-lo inelegível em virtude de investigações sobre o uso da Fundação Ceperj para fins eleitorais.
Anteriormente, Wilson Witzel tornou-se o primeiro governador do estado, desde a redemocratização, a sofrer impeachment, após condenações por irregularidades no uso de verbas durante a pandemia. O cenário de prisões também foi marcante com Luiz Fernando Pezão e seu antecessor, Sérgio Cabral, ambos detidos no contexto da Operação Lava Jato. A lista de ex-governadores que passaram por detenções em operações da Polícia Federal inclui ainda Rosinha Garotinho, Anthony Garotinho e Moreira Franco.
A fragilidade institucional manifestou-se intensamente nos últimos meses. Após a renúncia do vice-governador Thiago Pampolha para assumir cargo no Tribunal de Contas e a saída de Cláudio Castro para disputar o Senado, a sucessão foi novamente interrompida. Rodrigo Bacellar (União), presidente da Alerj e sucessor imediato, teve o mandato cassado por abuso político e econômico, além de ser investigado por vazar informações ao Comando Vermelho.
Diante do vácuo, o presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, assumiu interinamente o governo estadual.
A crise não se limita ao Executivo. Na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), quatro ex-presidentes foram presos em pouco mais de duas décadas, entre eles Jorge Picciani, Paulo Melo e os já citados Sérgio Cabral e Rodrigo Bacellar.
O professor de Direito Constitucional da Universidade Federal Fluminense (UFF), Gustavo Sampaio, ressalta que a gravidade da situação exige maior consciência do eleitor na escolha de seus representantes para que o estado consiga superar esse colapso institucional.
Já em sua gestão interina, o governador Ricardo Couto promoveu uma mudança estrutural, substituindo nomes políticos por técnicos, exonerando mais de mil cargos comissionados e revisando contratos. Sobre essas medidas, a professora Graziella Testa (UFPR) observa que, embora possa parecer uma tentativa de profissionalização, demissões em massa podem ser interpretadas como uma forma de evitar a responsabilização por decisões passadas ou impactar negativamente a execução de políticas públicas.
Referência: Informações adaptadas de CNN Brasil.
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