
Sol Sertão Online
Colunista
Após enfrentarem a maior catástrofe ambiental de sua história em 2024, os viticultores da Serra Gaúcha celebram a retomada de sua produção. A safra deste ano foi classificada como "emblemática", alcançando 905 mil toneladas, somando uvas de mesa e industriais, volume que supera a média da região.
A recuperação não ocorreu por acaso, sendo fruto de persistência e investimentos pesados. O produtor Arnaldo Argenta, de Barão (RS), exemplifica a luta do setor: com enchentes sucessivas entre 2023 e 2025, ele perdeu toda a produção em fermentação e equipamentos, acumulando um prejuízo de R$ 1,5 milhão.
Para mitigar os riscos climáticos, a viticultura gaúcha tem investido no cultivo coberto. A técnica, apesar do alto custo de implantação — que pode chegar a R$ 450 mil por hectare —, reduz em até 90% as doenças fúngicas e protege os frutos das chuvas.
Outro pilar da retomada é a diversificação genética. Em Santa Teresa, a família de João Paulo Berra desenvolve uma área experimental com 50 variedades de uvas europeias, como a Palava, da República Checa. A precocidade desta variedade permite escalonar a colheita, otimizando o processamento industrial e evitando gargalos nos períodos de pico.
A tradição da viticultura na região, iniciada por imigrantes italianos em 1875, permanece viva. Atualmente, cerca de 15 mil famílias cultivam uva no Rio Grande do Sul, com 90% da produção concentrada na Serra Gaúcha, mantendo a atividade como um símbolo de herança e sobrevivência.
Referência: Informações adaptadas de G1.
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