
Sol Sertão Online
Colunista
A Comissão sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) elaborou um relatório que altera a narrativa oficial sobre a morte do ex-presidente Juscelino Kubitschek. O documento aponta que JK teria sido vítima de um assassinato, contestando a versão de que ele teria falecido em um acidente automobilístico em 22 de agosto de 1976.
O relatório, de autoria da relatora Maria Cecília Adão, ainda está em fase de avaliação. De acordo com o Ministério dos Direitos Humanos, o texto está sendo analisado pelos membros da comissão e ainda não foi submetido à votação, processo que exige maioria simples para aprovação conforme o regimento interno.
Durante a ditadura militar, Juscelino Kubitschek foi alvo de perseguição pelo regime. Sob o governo de Castello Branco, o ex-presidente teve seus direitos militares cassados por aproximadamente dez anos. Analistas apontam que a alta popularidade de JK, que o tornava favorito para assumir a chefia do Executivo em 1965, foi um dos principais motivos para a repressão.
O acidente ocorreu no quilômetro 165 da Via Dutra, nas proximidades de Resende (RJ). Segundo a versão oficial da época, o Chevrolet Opala conduzido pelo motorista Geraldo Ribeiro teria batido levemente em um ônibus, perdido o controle e colidido frontalmente com um caminhão. JK e o motorista morreram instantaneamente.
Ao longo das décadas, diferentes investigações divergiram sobre o caso. Em 2013, a Comissão Municipal da Verdade Vladimir Herzog concluiu que houve um "atentado político", sugerindo que o motorista teria sido atingido por um tiro na cabeça antes da colisão.
Já em 2014, a Comissão Nacional da Verdade (CNV) refutou a tese de homicídio, afirmando que não havia elementos materiais que comprovassem a tese de assassinato. Na ocasião, um fragmento metálico encontrado no crânio do motorista durante exumação em 1996 foi identificado como um cravo utilizado na fixação do revestimento do caixão.
O caso ganhou novo fôlego no início do ano passado, quando o Governo Federal e a CEMDP decidiram reabrir a investigação. A comissão, composta por representantes do Ministério da Defesa, Câmara dos Deputados, Ministério Público Federal e sociedade civil, busca agora aprofundar a análise dos fatos para determinar a real natureza da morte do ex-presidente.
Referência: Informações adaptadas de CNN Brasil.
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