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Sol Sertão Online
Colunista
Uma recente revisão sistemática da Universidade de East Anglia revela que uma parcela alarmante do conteúdo sobre saúde mental disseminado nas redes sociais é enganosa, com o TikTok despontando como a plataforma mais problemática. O estudo alerta que vídeos populares podem espalhar informações imprecisas rapidamente, influenciando milhões de jovens que buscam entender sintomas e possíveis diagnósticos.
A pesquisa, publicada no The Journal of Social Media Research, analisou mais de 5 mil postagens em plataformas como YouTube, TikTok, Facebook, Instagram e X (antigo Twitter), abordando temas críticos como autismo, TDAH, depressão, ansiedade e outros transtornos. Os resultados são preocupantes: a desinformação é frequente e, em alguns casos, atinge até 56% do conteúdo analisado.
O TikTok foi identificado como o ambiente com maior volume de informações imprecisas ou sem base científica. Em comparação, o YouTube apresentou cerca de 22% de desinformação, enquanto o Facebook registrou menos de 15%. A análise também mostrou que conteúdos produzidos por profissionais de saúde são significativamente mais confiáveis (apenas 2,6% de desinformação) do que os de influenciadores e usuários comuns (com até 35% de imprecisão).
Os pesquisadores apontam os algoritmos das plataformas, especialmente do TikTok, como um fator chave para a viralização de informações incorretas. Esses algoritmos favorecem conteúdos com alto engajamento rápido, criando “câmaras de eco” que reforçam informações falsas ou exageradas. Esse fenômeno é descrito pelos autores como uma “tempestade perfeita” para a disseminação da desinformação.
A única exceção notável foi o YouTube Kids, que apresentou regras de moderação mais rígidas e, consequentemente, menor desinformação, não registrando nenhum conteúdo impreciso sobre ansiedade e depressão, e apenas 8,9% sobre TDAH.
O problema vai além da desinformação em si. Muitos jovens utilizam as redes sociais como fonte primária para compreender sintomas e buscar diagnósticos, o que pode levar a autodiagnósticos incorretos. Segundo a psiquiatra Izabela Souza, informações errôneas sobre saúde mental representam um retrocesso e impactam desastrosamente a vida de indivíduos com transtornos e de seus familiares.
“Elas induzem a diagnósticos e tratamentos errados e contribuem para visões preconceituosas ou distorcidas sobre condições médicas bem documentadas”, afirma Souza. Conselhos sem comprovação científica podem atrasar intervenções eficazes e agravar quadros clínicos. A médica cita casos como a disseminação de “curas milagrosas” para o TEA ou a negação da existência de transtornos como o TDAH.
A banalização de transtornos mentais sérios é outro risco. A psiquiatra exemplifica que a banalização da depressão, por exemplo, leva à confusão entre tristezas e frustrações cotidianas com uma doença grave que exige abordagem especializada. Isso não apenas impede a busca por tratamento adequado, mas também invalida a luta de pacientes e familiares que buscam inclusão e entendimento sobre suas condições, como crianças com transtornos de aprendizado ou indivíduos com autismo.
Entre os principais riscos de seguir conselhos não científicos, destacam-se: atraso no diagnóstico correto, tratamentos inadequados, agravamento de sintomas, criação de falsas esperanças e aumento do estigma.
Para combater essa onda de desinformação, os pesquisadores e especialistas defendem uma ação conjunta. Sugere-se que profissionais de saúde e instituições ampliem sua presença nas redes sociais, produzindo conteúdos baseados em evidências. Além disso, as plataformas devem priorizar a exibição de informações de fontes verificadas, rotular conteúdos questionáveis e investir na melhoria da moderação.
A psiquiatra Izabela Souza reforça a importância de que a população adote uma postura crítica: “É fundamental buscar informações em fontes confiáveis, como sites de instituições de saúde e conselhos profissionais; não se autodiagnosticar; procurar ajuda profissional; e denunciar postagens levianas e falsas aos órgãos competentes.”
Referência: Informações adaptadas de G1.
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