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Caio Alves da Gama
Colunista
Analisando a trajetória dos cinco deputados federais mais votados em 2022, observa-se um padrão de atuação que, em muitos casos, priorizou pautas externas ao cerne do trabalho legislativo. Deste grupo, dois parlamentares já perderam seus mandatos, evidenciando as consequências de suas condutas.
Nikolas Ferreira (PL-MG) centrou grande parte de seu mandato na forte presença e atuação em redes sociais. Embora tenha relatado dois projetos em seu primeiro ano, um sobre disciplina de bloqueio de contas de membros do Congresso e outro sobre agravamento da pena para venda de remédios abortivos, ambos enfrentaram dificuldades em avançar no plenário ou foram redistribuídos. Seu mandato foi marcado por declarações transfóbicas, como a feita no Dia da Mulher, que gerou pedidos de cassação e apuração pelo Ministério Público Federal, embora sem prosperar. Em 2024, assumiu a presidência da Comissão de Educação, mas não obteve sucesso em emplacar pautas conservadoras. No mesmo ano, teve papel relevante no recuo do Governo Federal em uma portaria sobre fiscalização de transações financeiras, após veicular nas redes sociais insinuações sobre possível taxação do Pix.
Guilherme Boulos (PSOL-SP) é descrito como tendo uma atuação parlamentar apagada, com o parlamento sendo utilizado predominantemente como plataforma eleitoral. Liderou a Federação PSOL/Rede e foi titular em importantes comissões, mas seu legado legislativo se resume a cinco projetos que se tornaram lei, entre eles, a Instituição do Programa de Aquisição de Alimentos, que garante percentual para agricultores familiares. Ganhou notoriedade ao relatar, no Conselho de Ética, a absolvição do deputado André Janones, defendendo que fatos anteriores ao mandato não deveriam prosseguir. Também se destacou nos debates sobre a regulamentação de trabalhadores por aplicativos, propondo elevação da taxa mínima e uma versão alternativa à apresentada pelo relator.
Carla Zambelli (PL-SP) teve seu mandato obscurecido por problemas judiciais. Foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por invadir sistema do CNJ e por perseguir um eleitor armada na véspera da eleição de 2022, incidente apontado como motivo para a perda da eleição por Jair Bolsonaro. Diante das condenações, fugiu para os EUA e buscou asilo na Itália, onde foi presa e aguarda extradição. Antes de renunciar ao mandato em dezembro de 2025, havia relatado apenas dois projetos. Ocupou titularidade na Secretaria da Mulher e nas comissões de Educação e Relações Exteriores.
Eduardo Bolsonaro (PL-SP) atuou como presidente da Comissão de Relações Exteriores, mas se licenciou para se mudar aos Estados Unidos em uma articulação para pressionar pela anistia de Jair Bolsonaro. Sua ausência prolongada gerou uma estratégia da oposição para manter seu posto como líder da minoria, visando evitar a contagem de faltas. No entanto, o presidente da Casa barrou a manobra, alegando incompatibilidade. Em dezembro de 2025, perdeu o mandato por excesso de faltas, conforme a Constituição. Durante seu último mandato, apresentou 502 projetos, com apenas dois aprovados e nenhum de sua autoria principal, além de ter relatado outras quatro propostas.
Ricardo Salles (Novo-SP), eleito pelo PL e depois filiado ao Novo, marcou seu mandato pela forte oposição ao governo Lula. Teve participação de destaque como relator na CPI do MST, onde propôs o indiciamento de diversas personalidades. Ao longo de quatro anos sem pedir afastamento oficial, apresentou 559 projetos, com uma PEC aprovada que permite reserva de orçamento para catástrofes. Relatou 16 projetos, obtendo a aprovação de três, incluindo um que restringe direitos de ocupantes de terra, como o recebimento de Bolsa Família.
Referência: Informações adaptadas de G1.
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