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Sol Sertão Online
Colunista
Vídeos com a estética de blocos de montar, inspirados na marca Lego, tornaram-se ferramentas de propaganda política e de guerra nas redes sociais, circulando intensamente desde o início dos conflitos envolvendo o Irã, Israel e Estados Unidos. A estratégia utiliza elementos lúdicos, como bombas coloridas e líderes mundiais transformados em bonecos, para transmitir mensagens militares.
Uma das principais responsáveis por esse conteúdo é a Explosive Media, organização criada em 2025 que utiliza inteligência artificial para alcançar milhões de visualizações. Em declarações recentes, um representante do grupo, identificado como “Sr. Explosivo”, admitiu que o governo do Irã é um de seus clientes.
A equipe é composta por cerca de dez profissionais, incluindo animadores, pesquisadores e operadores de IA. O projeto é financiado tanto por contratos com clientes quanto por doações do público, apesar de enfrentar resistências das plataformas digitais; em março, por exemplo, o canal da organização foi suspenso pelo YouTube por violar políticas contra spam e práticas enganosas.
Para o cientista político Maurício Ramos, professor da FESPSP, essa abordagem representa uma evolução na propaganda de guerra. Segundo o especialista, o foco deixou de ser o medo para se tornar o engajamento. Ao criar conteúdos leves e rápidos, a propaganda consegue atravessar todas as faixas etárias e ser multiplicada por usuários que compartilham o material, independentemente de concordarem com a mensagem.
O especialista destaca que a viralização desses clipes faz com que a narrativa se torne comum no senso coletivo, sendo inclusive impulsionada por perfis oficiais do governo iraniano.
A psicanalista Fabíola Barbosa alerta que a escolha estética serve para normalizar imagens que seriam chocantes em filmagens reais e que, provavelmente, seriam bloqueadas pelas redes sociais. Ao transformar a guerra em algo que parece "inofensivo e engraçado", ocorre uma banalização do sofrimento humano.
A analista compara a tática ao uso indiscriminado de IA visto em outras tendências virais, como as "novelas de frutas", onde a ausência de autoria e o uso de roteiros artificiais facilitam a disseminação de narrativas diversas.
O impacto dessa estratégia de comunicação foi tão amplo que ultrapassou as redes sociais e chegou aos palcos do festival Coachella, onde o músico Julian Casablancas, vocalista da banda The Strokes, citou a propaganda durante sua apresentação em abril.
Referência: Informações adaptadas de G1.
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