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O crescimento da produtividade do trabalho na economia brasileira nos últimos seis anos foi considerado 'modesto', impulsionado principalmente pelo bom desempenho na agropecuária e pela realocação de empregos para setores mais eficientes. A análise é do Banco Central (BC), divulgada em seu relatório de política monetária. O debate sobre a redução da jornada de trabalho, de 44 para 40 horas semanais, proposta que tem o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, esbarra na resistência do setor produtivo, que argumenta que a medida pode elevar os custos de produção e pressionar os preços ao consumidor.
Segundo o BC, a contribuição da produtividade para a redução dos custos trabalhistas tem sido limitada. A alta de produtividade entre 2019 e 2025, com média de 0,6% ao ano, refletiu dinâmicas distintas, com destaque para a agropecuária. Demais segmentos apresentaram contribuições mais modestas ou negativas.
O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, defende a redução da jornada como uma necessidade cobrada pela sociedade. Ele aponta que algumas empresas já vêm antecipando essa discussão, reduzindo voluntariamente as horas de seus funcionários. O governo, inclusive através de ministros como Guilherme Boulos, reiterou a disposição em enviar uma proposta sobre o tema ao Congresso Nacional, buscando fechar o texto em reuniões futuras.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) e representantes de setores como contabilidade e assessoria empresarial alertam para as consequências da redução da jornada sem ganho de produtividade equivalente. O principal argumento é o aumento do valor da hora trabalhada, o que pode levar a um repasse de custos para os consumidores. Além disso, há o receio de queda na produção e na atividade econômica como um todo. Estimativas da CNI apontam para uma possível queda de 0,7% no PIB, o equivalente a R$ 76,9 bilhões.
Especialistas como Richard Domingos e Benito Pedro Vieira Santos destacam que alterações no regime de trabalho impactam operações com necessidade de cobertura contínua, como indústria, logística, varejo e serviços, gerando reverberações em cadeias de fornecedores e clientes. As empresas podem enfrentar aumento de custos operacionais, redução da capacidade produtiva e necessidade de otimizar processos para manter a competitividade.
O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, indicou que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que busca pôr fim à escala 6x1 poderá ser votada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) na semana seguinte e em plenário até o final de maio. O governo se mostra alinhado à discussão, buscando alinhar pontos para a apresentação de um projeto de lei.
Referência: Informações adaptadas de G1.
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