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Roberto O.
Colunista
A desestatização da Copasa, avaliada em cerca de R$ 10 bilhões, entrou em sua fase definitiva. Após a renovação do contrato de prestação de serviços com o município de Belo Horizonte, o governo de Minas Gerais trabalha com a meta de realizar o leilão em até dois meses. O movimento atrai a atenção dos maiores players do setor, que buscam assumir o controle da estatal mineira.
O passo crucial para viabilizar a venda foi o acordo selado com a capital mineira no final de março. A prefeitura garantiu uma outorga de R$ 1,8 bilhão, o que trouxe a segurança jurídica necessária para que os investidores pudessem calcular o valor real da companhia. Com essa pendência resolvida, a expectativa é que o edital seja publicado nas próximas semanas.
No topo da lista de interessados estão a Aegea, líder no setor privado nacional, e a Sabesp, que agora opera sob gestão privada e deve formar consórcio com a Equatorial Energia. Outras gestoras, como a Perfin, acompanham o processo de perto. Já grupos como a BRK Ambiental e a francesa Veolia são vistos como candidatos improváveis no momento, devido a fatores estratégicos internos ou alto nível de endividamento.
Um dos movimentos mais comentados nos bastidores é o plano de "IPO reverso" estudado pela Aegea. A empresa avalia utilizar a Copasa — que já possui capital aberto — para ingressar na Bolsa de Valores sem os trâmites de uma oferta pública inicial tradicional, fundindo as operações e ganhando liquidez imediata no mercado financeiro.
Apesar do interesse, investidores pressionam por ajustes no modelo de venda. A principal preocupação é o risco de o investidor estratégico ser superado por ofertas de mercado na segunda fase do leilão. Para mitigar esse cenário, as empresas solicitam a inclusão da cláusula de "right to match", que assegura ao comprador o direito de cobrir propostas de terceiros e garantir a aquisição.
Todo o capital arrecadado com a privatização será utilizado pelo estado de Minas Gerais para abater dívidas com a União, por meio do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag). A conclusão do processo representa, além de um alívio fiscal, o cumprimento de uma das principais bandeiras econômicas da gestão estadual.
Fonte: Gazeta do Povo
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