%2Fi.s3.glbimg.com%2Fv1%2FAUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a%2Finternal_photos%2Fbs%2F2026%2F2%2Fj%2FXg1emqSxyz7DjN3KSDAg%2Fdd2a3110-3e58-11f1-bd52-e755d604ece4.png.webp&w=3840&q=75)
Sol Sertão Online
Colunista
Na China, a luta contra o sobrepeso assumiu formas extremas com a proliferação de centros de emagrecimento que funcionam sob regime militar. Estima-se que existam cerca de mil acampamentos desse tipo espalhados pelo país. Por aproximadamente R$ 3 mil (US$ 600), é possível contratar um pacote mensal que inclui alojamento, alimentação controlada e sessões diárias de exercícios intensos.
A disciplina é rigorosa e beira o confinamento: os participantes são proibidos de comer fora dos horários estabelecidos e devem se submeter a duas pesagens obrigatórias todos os dias. O controle é tão rígido que relatos indicam a impossibilidade de abandonar o recinto ou faltar às aulas sem uma justificativa aceita pela administração, levando alguns a descreverem a experiência como se estivessem em uma "prisão".
O cotidiano nesses centros inicia-se às 7h30 com a primeira pesagem, seguida por quatro horas de atividades físicas. O cronograma envolve modalidades de alta intensidade, como spinning, trampolim, treinamento intervalado de alta intensidade (HIIT), Tabata e levantamento de pesos. Após o jantar, os alunos ainda devem realizar uma hora de spinning antes da pesagem final, às 19h30.
A alimentação é projetada para ser equilibrada e imitar a dieta chinesa cotidiana, porém com porções estritamente controladas. Embora alguns participantes relatem a eficácia do método — com perdas de peso significativas em menos de um mês —, a transição de volta para a rotina normal costuma ser difícil, com relatos de estranhamento ao voltar a comer normalmente.
Apesar dos resultados imediatos na balança, especialistas em nutrição alertam que métodos extremos trazem graves riscos físicos e psicológicos. A perda de peso acelerada, que em alguns centros chega a um quilo por dia, supera largamente os limites seguros, mesmo sob supervisão médica.
O principal perigo reside na perda de massa muscular concomitante à gordura, o que é especialmente crítico para jovens e crianças. Além disso, a pressão psicológica e a rigidez do regime aumentam significativamente o risco de desenvolvimento de transtornos alimentares. A recomendação de profissionais de saúde é que a perda de peso seja gradual, focando em mudanças de hábitos, alimentação nutritiva e exercícios realizados por prazer, não como punição.
A popularidade desses acampamentos reflete a crise mundial de obesidade. Na China, as autoridades sanitárias calculam que 34% dos adultos tenham sobrepeso e 16% sejam obesos. Entre as causas apontadas estão o consumo excessivo de carboidratos refinados, presentes no arroz e macarrão, e o estilo de vida sedentário, impulsionado pelo uso constante de celulares e tablets.
Esses centros ganharam força no início dos anos 2000 via programas de televisão e, nos últimos dez anos, expandiram-se através das redes sociais. Atualmente, o mercado oferece desde opções rigorosas, com vigilância por câmeras para evitar a entrega de alimentos por delivery, até retiros de luxo com infraestrutura sofisticada.
Referência: Informações adaptadas de G1.
Carregando autenticação...
Carregando comentários...