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Sol Sertão Online
Colunista
Neste domingo, 12, o Peru vai às urnas em uma eleição presidencial que se destaca por um número recorde de 35 candidatos, refletindo uma profunda pulverização das intenções de voto e um cenário político marcado por instabilidade crônica. A fragmentação eleitoral é um sintoma direto de um sistema que, nos últimos anos, tem fomentado a incerteza no país andino, combinando características pouco usuais do presidencialismo e do parlamentarismo.
O sistema peruano opera de maneira peculiar, sem se encaixar perfeitamente em modelos puramente presidencialistas ou parlamentaristas. Historicamente, a governabilidade era assegurada quando o presidente detinha maioria parlamentar, como observado entre 2000 e 2016, período em que Alejandro Toledo, Ollanta Humala e Alan García exerceram a presidência com apoio legislativo consolidado. No entanto, a partir de 2015 e 2016, o cenário começou a mudar drasticamente com o surgimento de diversos escândalos de corrupção que atingiram os principais partidos políticos.
Os ex-presidentes Toledo, Humala e García foram implicados em investigações relacionadas ao caso Odebrecht, desestabilizando a confiança pública e enfraquecendo as estruturas partidárias tradicionais. Essa crise abriu caminho para a eleição de Pedro Pablo Kuczynski em 2016, que, ao contrário de seus antecessores, não contou com maioria parlamentar. Foi nesse contexto que a fragmentação política, que ainda assola o país, intensificou-se.
A fragilidade institucional se acentuou em 2018, quando Kuczsinzky foi destituído em meio a um escândalo que também abalou o principal partido de oposição. Seu vice assumiu, mas também foi deposto posteriormente. Esses eventos geraram um enfraquecimento significativo da figura presidencial frente ao Poder Legislativo, que passou a utilizar o processo de impeachment com mais frequência devido à agilidade de suas normas.
Em 2021, a eleição de Pedro Castillo, representando um partido minoritário no Parlamento, culminou em uma tentativa de autogolpe de Estado um ano depois. O fracasso resultou em sua destituição e prisão. Sua vice, Dina Boluarte, assumiu a presidência, mas sem apoio parlamentar suficiente, também enfrentou um processo de destituição no ano passado. A instabilidade continuou com a breve gestão de José Jerí, que durou quatro meses, e a atual interinidade de José María Balcázar.
O cenário atual não oferece sinais claros de uma resolução para essa instabilidade, que parece destinada a persistir mesmo após as eleições deste domingo.
Referência: Informações adaptadas de G1.
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