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Sol Sertão Online
Colunista
O Peru vai às urnas neste domingo (12) para eleger seu próximo presidente em um cenário de incerteza sem precedentes. Com 35 candidatos disputando o cargo, o pleito marca um recorde na história política do país, refletindo a profunda fragmentação de um sistema partidário enfraquecido e desacreditado.
A pulverização das intenções de voto é evidente: nenhum dos principais candidatos consegue romper a barreira dos 20% nas pesquisas, o que significa que, a poucos dias da eleição, não há um líder claro. Essa atomização de votos não apenas impede a formação de uma maioria, mas também aponta para um Parlamento igualmente fragmentado, sem apoio consistente para o próximo chefe de Estado.
Caso nenhum dos candidatos atinja metade dos votos válidos, a eleição seguirá para um segundo turno, previsto para junho. Entre os nomes que buscam a presidência, figura o empresário e ex-prefeito de Lima, Ricardo Belmont, de 80 anos, que aparece em empates técnicos nas sondagens com outros postulantes.
A escolha do novo presidente ocorre em um contexto de extrema turbulência: o Peru teve nove presidentes nos últimos dez anos, sendo três eleitos e sete interinos. O líder a ser eleito será o décimo a ocupar o cargo em uma única década. Ainda mais alarmante é o fato de que todos os presidentes eleitos neste século foram para a prisão, seja por escândalos de corrupção ou por tentativas de autogolpe de Estado.
A dimensão da disfunção institucional é ilustrada por um episódio que beira o realismo fantástico: os retratos oficiais do penúltimo presidente, José Jerí, foram finalizados e entregues aos ministérios justamente na semana de sua destituição, minutos após o Congresso votar por seu impeachment.
O sistema político peruano é uma complexa e "bizarra" mistura, que não se enquadra nem como presidencialista puro nem como parlamentarista. Historicamente, presidentes com maioria parlamentar, como Alejandro Toledo, Ollanta Humala e Alan García entre 2000 e 2016, conseguiram governar com maior tranquilidade.
Contudo, a partir de 2015 e 2016, diversos escândalos de corrupção, incluindo a versão peruana do caso Odebrecht, abalaram os grandes partidos e iniciaram um período de instabilidade crescente. A eleição de Pedro Pablo Kuczinzky em 2016, sem uma maioria parlamentar sólida, marcou o início da fragmentação que assola o país até hoje.
Kuczinzky foi destituído em 2018, em um escândalo que também atingiu o principal partido de oposição. Seu vice assumiu, mas foi igualmente removido do cargo. Com normas rápidas para processos de impeachment, o Parlamento peruano tornou-se habituado a derrubar presidentes, enfraquecendo drasticamente o Poder Executivo.
Em 2021, Pedro Castillo foi eleito com um partido minoritário e, um ano depois, tentou um autogolpe de Estado. A tentativa fracassou, e ele foi destituído e preso. Sua vice, Dina Boluarte, assumiu, mas também foi destituída no ano passado por falta de apoio parlamentar. Após ela, José Jerí ocupou o cargo por quatro meses, e atualmente José María Balcázar exerce a presidência de forma interina.
Diante deste cenário, nada no horizonte político peruano indica o fim da instabilidade crônica. As eleições deste domingo, com sua fragmentação recorde e o histórico recente de trocas presidenciais, tendem apenas a perpetuar a complexa e incerta conjuntura do país.
Referência: Informações adaptadas de G1.
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