
Sol Sertão Online
Colunista
A ideia de realizar um "detox de plástico" para limpar o organismo ganhou popularidade recentemente, impulsionada por produções de streaming. No entanto, especialistas alertam que, embora a redução da exposição a esses materiais seja recomendável, o conceito de "detox" não possui validação médica, pois a maioria desses compostos é metabolizada e eliminada naturalmente pelo corpo.
Para compreender os riscos, é fundamental distinguir a contaminação por fragmentos microscópicos (microplásticos) da exposição a aditivos químicos. São estes últimos, como os plastificantes e retardadores de chama, que apresentam as evidências mais consistentes de impacto negativo na saúde humana.
Substâncias como o Bisfenol A (BPA) e os ftalatos são amplamente utilizadas na indústria para conferir maleabilidade e resistência aos plásticos. A ciência já associa esses compostos a riscos graves, incluindo diabetes tipo 2, obesidade, hipertensão e problemas reprodutivos, como a redução da qualidade do esperma e a síndrome dos ovários policísticos.
Além disso, os chamados "químicos eternos" (PFAS), comuns em revestimentos antiaderentes, podem estar ligados a alterações na tireoide e ao transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) em crianças.
A principal porta de entrada dessas substâncias é a alimentação. O uso de filmes de PVC para embalar alimentos gordurosos, por exemplo, facilita a migração de plastificantes para a comida. O consumo frequente de produtos ultraprocessados e industrializados potencializa significativamente esse risco.
Outro ponto de atenção são os microplásticos. Estimativas indicam que um ser humano pode ingerir até 1,5 milhão de micropartículas por dia, provenientes de água engarrafada, frutas, vegetais e até do ar que respiramos — especialmente em ambientes fechados com ar-condicionado ou em rodovias com tráfego intenso devido à abrasão de pneus.
Estudos recentes revelaram a presença de microplásticos na corrente sanguínea de quase 89% dos adultos saudáveis analisados. Essa presença está associada a processos inflamatórios e alterações na coagulação sanguínea, o que pode elevar os riscos cardiovasculares.
Apesar dos alertas, médicos ressaltam que a detecção de partículas no corpo não significa automaticamente a existência de uma doença. No entanto, a recomendação geral é a prudência: reduzir a exposição desnecessária a plásticos e embalagens sintéticas é a estratégia mais segura enquanto a ciência aprofunda a compreensão sobre os danos a longo prazo.
Referência: Informações adaptadas de CNN Brasil.
Carregando autenticação...
Carregando comentários...