
Sol Sertão Online
Colunista
A arquiteta Lais Pironnet, de 34 anos, viveu uma experiência inesperada ao dar à luz seu segundo filho, Miguel. Diferente do primeiro parto, que ocorreu de forma natural em sua residência em Amsterdã, a chegada do segundo menino aconteceu de maneira abrupta, no acostamento de uma rodovia, enquanto a família se deslocava para o hospital.
O trabalho de parto evoluiu com uma velocidade impressionante. Lais relata que, apenas 40 minutos após o início das contrações, já apresentava 8 centímetros de dilatação. Mesmo com o acompanhamento de uma enfermeira e a tentativa de chegar à unidade hospitalar, a expulsão ocorreu durante o trajeto, que duraria cerca de 15 minutos.
No total, todo o processo de parto durou aproximadamente 1h40. Apesar da intensidade da situação, a mãe afirmou não ter sentido medo, descrevendo a experiência como um alívio diante da rapidez com que o bebê nasceu.
Casos como o de Lais são classificados tecnicamente como partos taquitócicos. Segundo a médica Adriana Lippi Waissman, da Federação Brasileira das Associações em Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), esses partos ocorrem devido a reações bioquímicas e a um equilíbrio hormonal entre a ocitocina e as prostaglandinas, que aceleram a dilatação e a descida do feto.
A especialista destaca que a multiparidade é um fator determinante: mulheres que já tiveram filhos tendem a ter partos subsequentes mais rápidos, pois o canal de parto já foi testado e o corpo se adapta fisiologicamente. Outros fatores, como estresse, volume excessivo de líquido amniótico ou complicações placentárias e fetais, também podem desencadear esse processo acelerado.
Após o nascimento no carro, Lais conseguiu realizar a chamada "golden hour" (hora dourada), mantendo o bebê em contato pele a pele durante o percurso até o hospital. Devido à rapidez do parto, Miguel não conseguiu eliminar todo o líquido pulmonar, necessitando de dois dias de observação na UTI neonatal para estabilizar a respiração.
A história de Lais levanta a discussão sobre a cultura de nascimentos no país. O Brasil registra uma das maiores taxas de cesáreas do mundo, superando 57% no geral e 80% no setor privado. Esses números contrastam com a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS), que sugere que as cesáreas ocorram em apenas 10% a 15% dos casos, reservando a cirurgia para situações de real necessidade médica.
Embora o parto normal seja o mais fisiológico e ofereça benefícios como recuperação mais rápida para a mãe e melhor adaptação respiratória para o recém-nascido, a medicina ressalta que a cesárea é fundamental e segura em casos de patologias maternas ou fetais, como rupturas uterinas ou sofrimento fetal grave.
Referência: Informações adaptadas de G1.
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