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Sol Sertão Online
Colunista
A exuberância natural da Sierra Nevada de Santa Marta, na Colômbia, esconde uma realidade brutal. Enquanto turistas desfrutam de águas cristalinas e montanhas nevadas, comunidades indígenas e comerciantes locais vivem sob o domínio do medo imposto por grupos paramilitares.
O grupo Autodefesas Conquistadoras da Sierra Nevada (ACSN) controla estrategicamente as rotas do narcotráfico na montanha costeira mais alta do mundo. Além do tráfico de drogas, a organização financia suas operações por meio da extorsão de comércios e da exploração ilegal de minas de ouro, atividade que contamina os recursos hídricos da região com mercúrio.
A governança armada exercida pela ACSN é tão profunda que, segundo pesquisadores, o grupo controla desde as praias usadas para a exportação de entorpecentes até o alimento vendido aos visitantes.
A gravidade da situação forçou o governo do presidente Gustavo Petro a fechar o emblemático Parque Tayrona por mais de duas semanas, entre fevereiro e março. A medida foi justificada por bloqueios de estradas, extorsões e ameaças diretas contra guardas-parques que combatem o desmatamento ilegal.
Apesar de a ACSN ter sido incluída na estratégia de "paz total" de Petro, que visava o desarmamento de organizações criminosas, as negociações não prosperaram. Como resultado, o conflito se intensificou significativamente.
Povos originários, como os arhuacos e koguis — cujo conhecimento ancestral é reconhecido como Patrimônio da Humanidade pela Unesco —, relatam que a violência atingiu níveis críticos. O cenário é agravado pela incursão do Clã do Golfo, o principal cartel de narcotráfico da Colômbia, que agora disputa o controle do território em confrontos próximos às aldeias indígenas.
Para o setor hoteleiro de Santa Marta, a insegurança gera uma crise de reputação que afasta visitantes. Embora a região tenha recebido mais de 873 mil viajantes em 2025, a persistência do conflito armado coloca em risco a viabilidade econômica de um dos destinos mais emblemáticos do Caribe.
Referência: Informações adaptadas de G1.
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