
Sol Sertão Online
Colunista
Disponível na plataforma de streaming Mubi, a produção espanhola "Os Anos Novos" se consolida como uma das obras mais lúcidas e precisas sobre a dinâmica dos relacionamentos modernos, fugindo dos clichês românticos tradicionais.
A série acompanha a trajetória de Ana e Óscar ao longo de dez anos. A estrutura narrativa é singular: cada capítulo se passa na virada de um ano, iniciando no Réveillon de 2016, momento em que ambos completam 30 anos. Esse recurso permite que o público descubra, a cada novo episódio, as transformações e os acontecimentos que moldaram o casal durante o ano anterior.
A obra aposta em diálogos naturais, com falas sobrepostas e interrupções que mimetizam a realidade. A relação entre Ana, uma bartender independente e por vezes egoísta, e Óscar, um médico metódico e inseguro, é marcada por idas e vindas. A série evita a idealização, inclusive em cenas de intimidade, priorizando a verdade humana em vez de coreografias cinematográficas.
Dirigida por Rodrigo Sorogoyen, cineasta premiado no Festival de Cannes e no Goya, a produção exige e entrega atuações acima da média. O desempenho de Iria del Río e Francesco Carril é fundamental para sustentar a tensão e a doçura do choque de temperamentos entre os protagonistas.
Além do casal principal, o elenco secundário eleva a qualidade da narrativa, especialmente em cenas de jantares familiares onde memórias incômodas emergem com naturalidade. Ambientada em Madri, a série também apresenta nuances culturais, como a tradição de comer as doze uvas da sorte à meia-noite.
Para quem aprecia dramas psicológicos bem construídos e narrativas que exploram as fragilidades humanas, "Os Anos Novos" é uma recomendação indispensável.
Referência: Informações adaptadas de UOL.
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