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Sol Sertão Online
Colunista
O crescimento do comércio eletrônico no Brasil, que movimenta R$ 258 bilhões anualmente, trouxe consigo um desafio alarmante: a explosão das compras por impulso. Com 80% das transações virtuais realizadas via celular, a facilidade de acesso a créditos rápidos tem empurrado milhões de consumidores para a inadimplência.
O cenário de endividamento é crítico. Segundo levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), 80,4% das famílias brasileiras estavam endividadas em março. O cartão de crédito é a principal fonte de débitos, presente em 84,9% dos casos, seguido pelo crediário do varejo (16%) e empréstimos pessoais (12,6%).
Especialistas alertam para a oniomania, termo técnico para a compulsão por compras. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), esse transtorno atinge cerca de 8% dos consumidores em todo o mundo. No Brasil, psicólogos relatam um aumento expressivo na procura por tratamento, evidenciando que a facilidade do ambiente digital intensifica a ansiedade e a perda de controle financeiro.
A banalização do consumo, muitas vezes disfarçada de "autocuidado" ou "terapia" em redes sociais, contribui para que o problema seja ignorado até que a situação se torne insustentável. Em casos extremos, a compulsão pode levar ao acúmulo de múltiplos empréstimos e dívidas astronômicas devido aos juros compostos.
O varejo online utiliza estratégias sofisticadas para estimular a compra imediata. O uso de "gatilhos" de urgência, como promoções em datas repetidas (03/03, 04/04) e ofertas relâmpago de 48 horas, reduz o tempo de análise do consumidor. Somam-se a isso as lives de influenciadores e cupons de desconto, que criam a sensação de oportunidade imperdível.
A educação financeira alerta para a armadilha do parcelamento. Ao focar no valor da parcela mensal e não no custo total, o consumidor perde a noção do impacto dos juros ao longo do tempo. Um exemplo claro é o crédito rotativo, a linha mais cara do mercado, que somou R$ 109,65 bilhões no primeiro trimestre deste ano, com taxas que chegaram a 428,3% ao ano em março.
Uma tendência crescente e preocupante é a integração de serviços financeiros dentro das próprias plataformas de compras. Empresas como Mercado Livre e Shopee já operam sistemas de pagamento próprios, e plataformas como o TikTok buscam expandir sua atuação financeira no Brasil.
Analistas advertem que, quando o crédito está disponível no mesmo ambiente onde o produto é exibido, a barreira para a reflexão desaparece. Essa estratégia elimina a pausa necessária para a decisão consciente, aumentando drasticamente o risco de compras impulsivas e o consequente superendividamento da população.
Referência: Informações adaptadas de G1.
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