Sol Sertão Online
Colunista
O conceito de "food noise", ou ruído da comida, tem ganhado destaque com a popularização de novos medicamentos para o tratamento da obesidade, como o Ozempic, Wegovy, Mounjaro e Zepbound. O termo descreve pensamentos incessantes e intrusivos sobre alimentação — o que comer, quando comer e a luta constante para resistir a tentações.
Para muitas pessoas que lutam contra o excesso de peso, esse diálogo interno era visto como algo normal ou falta de força de vontade. No entanto, pesquisadores sugerem que isso esteja ligado ao "ponto de ajuste", um peso que o corpo tenta manter naturalmente.
De acordo com Lee Kaplan, diretor do Instituto de Obesidade e Metabolismo em Boston, a obesidade ocorre quando esse ponto de ajuste é elevado para um nível anormal. Quando o indivíduo tenta perder peso e ficar abaixo desse limite, o organismo ativa o "food noise" como um mecanismo fisiológico para forçar o consumo de mais calorias, o que explica por que a maioria das dietas falha a longo prazo.
O uso de medicamentos modernos parece silenciar esse ruído. Pacientes relatam que as vozes internas que incentivavam a comer desaparecem, proporcionando uma sensação de "cérebro vazio" em relação à comida. Oprah Winfrey, por exemplo, destacou que a maior surpresa foi acordar sem a necessidade de negociar consigo mesma o que ou como comer.
A Dra. Ania Jastreboff, da Universidade de Yale, explica que esses remédios parecem reacomodar o ponto de ajuste para um nível mais baixo. Assim, embora a pessoa ainda sinta fome, ela não é mais impulsionada por um diálogo interno contínuo e obsessivo.
Apesar dos avanços, especialistas alertam que a mudança pode não ser permanente. O pesquisador Rudolph Leibel compara o efeito desses remédios ao de uma aspirina contra a febre: o medicamento suprime o sintoma, mas não cura a causa subjacente. Em muitos casos, quando o tratamento é interrompido, o ponto de ajuste original retorna e o "food noise" volta a atormentar o paciente.
O grande desafio da ciência agora é compreender exatamente como esses medicamentos alteram o mecanismo cerebral do ponto de ajuste. Desvendar esse mistério pode abrir caminho para novas formas de reduzir permanentemente esse limite, oferecendo soluções mais definitivas para o combate à obesidade.
Referência: Informações adaptadas de UOL.
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