
Sol Sertão Online
Colunista
O Ministério do Trabalho estima que 4,56 milhões de trabalhadores deixarão de receber o abono salarial entre os anos de 2026 e 2030. A redução progressiva no número de beneficiários é resultado de mudanças nas regras de concessão, detalhadas no projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) enviado ao Congresso Nacional.
A partir de 2026, a correção do abono salarial será feita apenas pela inflação, o que reduzirá o teto de renda para quem tem direito ao benefício. No primeiro ano de vigência dessa regra, o limite passará de dois salários mínimos para 1,96 salário mínimo, o que deve excluir 559 mil trabalhadores.
A tendência de queda se intensifica em 2027, quando o limite para recebimento será reduzido para 1,89 salário mínimo. Com essa nova faixa, a estimativa é que 1,58 milhão de trabalhadores percam o acesso ao recurso.
Apesar da exclusão de milhões de pessoas, o governo projeta que o gasto total com o abono salarial continuará subindo. O motivo é a expansão do mercado de trabalho formal: a expectativa é que o número de celetistas cresça de 59,86 milhões em 2026 para 67 milhões em 2030.
Diante desse cenário, o investimento anual do governo deve saltar de R$ 34,36 bilhões, em 2026, para R$ 39,27 bilhões em 2030.
O volume de gastos e a abrangência do programa têm gerado debates entre economistas. Analistas apontam que o abono salarial não é focado prioritariamente na população mais pobre, concentrando-se, em grande parte, em camadas de renda média dos trabalhadores formais.
Estudos indicam que, por essa razão, o benefício possui pouco efeito na redução da pobreza geral e da desigualdade econômica do país, servindo mais como um mecanismo de redistribuição interna entre os trabalhadores com carteira assinada.
Referência: Informações adaptadas de G1.
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