
Sol Sertão Online
Colunista
Maureen Sideris, de 71 anos, viveu o que descreveu como "ficção científica". Após ser diagnosticada com câncer do esôfago, a moradora de Nova York participou de um teste clínico utilizando a droga dostarlimab. Em apenas quatro meses de infusões, o tumor desapareceu completamente, sem que a paciente precisasse enfrentar cirurgias, quimioterapia ou radioterapia.
Diferente dos métodos tradicionais, a imunoterapia não ataca o tumor diretamente, mas "desmascara" as células cancerosas para que o próprio sistema imunológico do organismo possa identificá-las e destruí-las. Atualmente, destacam-se duas abordagens principais: as terapias de células CAR-T, que modificam células de defesa em laboratório para combater cânceres sanguíneos, e os inibidores de checkpoint imunológico, que removem as travas do sistema imune para permitir o ataque ao tumor.
Apesar dos avanços, a eficácia ainda varia significativamente, com a resposta positiva ocorrendo em 20% a 40% dos pacientes. Especialistas ressaltam que o câncer não é uma única doença, mas um conjunto de cerca de 200 patologias diferentes, cada qual com causas e comportamentos distintos. Por isso, a grande aposta da ciência atual é a medicina de precisão, tratando o paciente com base em seu perfil genético específico.
Pesquisas indicam que fatores externos podem potencializar os resultados. Dietas ricas em fibras, o uso de estatinas (medicamentos para colesterol) e até o horário da aplicação da dose podem influenciar a resposta do corpo. Além disso, a combinação da imunoterapia com radiação ou ultrassom tem ajudado a tornar os tumores mais "visíveis" para as defesas do organismo.
O próximo passo da oncologia envolve a criação de vacinas terapêuticas. Diferente das vacinas preventivas, estas são desenhadas para treinar o sistema imunológico a reconhecer e atacar proteínas específicas do tumor de cada indivíduo. Testes preliminares com câncer renal e melanoma já mostraram resultados promissores, mantendo pacientes livres da doença por anos após a intervenção.
Embora ainda sejam necessários mais estudos para que esses métodos se tornem acessíveis a todos, a medicina caminha para abandonar a "era medieval" de cirurgias drásticas e tratamentos generalistas. O objetivo final é a substituição da remoção de órgãos por terapias precisas, menos invasivas e com maior qualidade de vida para o paciente.
Referência: Informações adaptadas de G1.
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