
Sol Sertão Online
Colunista
A Berkshire Hathaway iniciou sua nova fase sob a gestão do CEO Greg Abel com números expressivos. No primeiro trimestre, a companhia registrou um lucro operacional de US$ 11,35 bilhões, representando um crescimento de quase 18% em comparação ao ano anterior, embora tenha ficado ligeiramente abaixo das projeções do mercado.
O destaque absoluto, no entanto, foi a reserva de capital da empresa, que atingiu o patamar recorde de US$ 397 bilhões. O lucro líquido atribuível aos acionistas também apresentou salto significativo, subindo para aproximadamente US$ 10,1 bilhões, mais que o dobro dos US$ 4,6 bilhões reportados no mesmo período do ano passado.
Este relatório marca o primeiro trimestre de Abel como presidente da companhia, cargo que assumiu no início de 2026. O evento anual de acionistas em Omaha, Nebraska, conhecido como o "Woodstock dos Capitalistas", serviu como palco para a consolidação desta sucessão. Warren Buffett, de 95 anos, que liderou a empresa por seis décadas, manifestou total confiança em seu sucessor.
"O Greg está fazendo tudo o que eu fazia e muito mais, e está fazendo melhor em todos os casos. Ele é a pessoa certa", afirmou Buffett, que agora permanece como presidente do conselho, assistindo às discussões da plateia.
Um dos pilares dos resultados positivos continua sendo a participação na Apple. A gigante da tecnologia superou as expectativas, com vendas de iPhones crescendo 22% e ações com alta de 36% no último ano. Para Buffett, esses investimentos são ideais por proporcionarem retornos sem a necessidade de intervenção direta da gestão.
Contudo, Abel enfrenta o desafio de atrair investidores focados em Inteligência Artificial (IA) e tecnologia de crescimento rápido. O portfólio da Berkshire, composto majoritariamente por seguradoras, varejistas e ativos industriais, é visto como um microcosmo da economia americana, mas tem tido dificuldade em acompanhar o ritmo de crescimento do índice S&P 500 desde o anúncio da sucessão.
O novo CEO herda a complexa tarefa de alocar a imensa reserva de caixa da empresa, já que a Berkshire não realiza aquisições de grande impacto há cerca de uma década. Além disso, Abel agora supervisiona 94% dos investimentos em ações da companhia, consolidando seu papel como principal tomador de decisão financeira.
A assembleia de acionistas deste ano sinalizou uma mudança de tom: enquanto as reuniões anteriores eram marcadas por lições de vida e debates filosóficos entre Buffett e o falecido Charlie Munger, a nova gestão deve focar mais rigorosamente nas operações, evolução do negócio e respostas diretas aos investidores.
Referência: Informações adaptadas de CNN Brasil.
Carregando autenticação...
Carregando comentários...