
Sol Sertão Online
Colunista
Desde o início do segundo mandato de Donald Trump, em janeiro de 2025, o mercado financeiro tem registrado padrões alarmantes de negociações. Operadores vêm apostando milhões de dólares em ativos estratégicos momentos antes de o presidente americano realizar anúncios oficiais, levantando fortes suspeitas de uso de informação privilegiada.
Um dos casos mais emblemáticos envolveu o conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã. Antes de Trump declarar em entrevista que a guerra estava "praticamente concluída", houve um pico massivo de apostas na queda do preço do petróleo cerca de 47 minutos antes da divulgação da notícia, resultando em lucros milionários para quem antecipou a movimentação.
Outro episódio ocorreu em março, quando o presidente publicou na rede Truth Social que mantinha conversas produtivas com o Irã. Apenas 14 minutos antes da postagem, observou-se um volume anormal de apostas nos mercados de petróleo Brent e nos indicadores de referência dos EUA, surpreendendo analistas de diplomacia e do setor financeiro.
A instabilidade também atingiu o mercado de ações. Em abril de 2025, após o anúncio do "Dia da Libertação" — um pacote de tarifas globais —, as bolsas despencaram. No entanto, quando Trump anunciou uma pausa de 90 dias nessas tarifas, o índice S&P 500 disparou 9,5%, um dos maiores saltos diários desde a Segunda Guerra Mundial.
Dados indicam que, pouco antes desse anúncio de pausa, o volume de contratos negociados em fundos que acompanham o índice saltou de centenas para mais de 10 mil por minuto. Estimativas apontam que investidores que apostaram na alta do mercado podem ter lucrado quase US$ 20 milhões.
O fenômeno se estendeu a plataformas de apostas baseadas em blockchain, como Polymarket e Kalshi, onde é possível especular sobre eventos políticos. Donald Trump Jr., filho do presidente, possui vínculos com essas empresas, atuando como investidor e conselheiro.
Casos anômalos foram detectados, como o de um usuário que apostou US$ 32,5 mil na queda de Nicolás Maduro, lucrando US$ 436 mil logo após a captura do líder venezuelano por forças especiais dos EUA. Da mesma forma, um grupo de contas lucrou US$ 1,2 milhão ao prever corretamente ataques dos EUA ao Irã.
Diante dos fatos, senadores democratas solicitaram que a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC) investigasse se aliados da administração presidencial foram beneficiados. Internamente, a Casa Branca chegou a enviar um e-mail alertando funcionários sobre a proibição do uso de informações privilegiadas em mercados de previsão.
Apesar de a lei americana proibir tais práticas desde 1933, especialistas em direito financeiro alertam que a punição é difícil. A principal barreira é a identificação da fonte original da informação, o que torna improvável que os responsáveis por essas operações milionárias sejam processados criminalmente.
Referência: Informações adaptadas de G1.
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