
Sol Sertão Online
Colunista
A morte do ex-presidente Juscelino Kubitschek, ocorrida em 1976, voltou ao centro das discussões após uma perícia realizada em 2017 revelar graves inconsistências no laudo médico da época. Os novos achados integram a investigação da Comissão sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP), que concluiu que JK foi assassinado durante a ditadura militar, contrariando a versão oficial de acidente automobilístico.
De acordo com a versão oficial, JK e seu motorista, Geraldo Ribeiro, morreram em uma colisão frontal com um caminhão na Via Dutra. No entanto, o inquérito do Ministério Público Federal (MPF) destaca uma contradição temporal: enquanto o boletim policial registrou o acidente às 18h30, o laudo necroscópico fixou a hora da morte de JK às 20h50.
Médicas legistas que analisaram o caso afirmaram que, devido à gravidade das lesões — que incluíam o esmagamento do cérebro e fraturas faciais profundas —, seria impossível que o ex-presidente tivesse sobrevivido por mais de duas horas após a colisão. O documento aponta ainda um erro administrativo absurdo: a requisição para a necrópsia teria sido expedida antes mesmo do horário de morte registrado no laudo.
A perícia de 2017 denunciou que os protocolos médicos da época foram ignorados. Não houve a abertura das cavidades torácica, abdominal e craniana, procedimento essencial para exames internos. Além disso, não foram realizados exames toxicológicos para verificar a possibilidade de envenenamento de JK ou de Geraldo Ribeiro.
Sobre o motorista, as peritas ressaltaram que a ausência de um exame interno na cabeça impede descartar a ocorrência de uma lesão cerebral prévia ao acidente, o que poderia ter causado a perda de consciência do condutor antes da batida.
Outro ponto crítico apontado é a falta de informações sobre o transporte dos corpos. Não há registros do horário de liberação dos cadáveres no local do acidente nem de quem foi o responsável pelo deslocamento até o Instituto Médico Legal (IML). Os corpos deram entrada no instituto às 02h50 do dia seguinte, mas o tempo de permanência no local do fato permanece desconhecido.
A conclusão da CEMDP diverge do entendimento da Comissão Nacional da Verdade de 2014. Na época de sua morte, Juscelino Kubitschek era perseguido pelo regime militar e teve seus direitos políticos cassados por Castello Branco, fruto de sua alta popularidade e potencial para assumir a chefia do Executivo.
Anna Christina Kubitschek, neta do ex-presidente, manifestou-se favoravelmente à reabertura do caso, afirmando que a hipótese de assassinato não pode ser ignorada em nome da verdade histórica do Brasil. O relatório da CEMDP segue em processo de avaliação pelo Ministério dos Direitos Humanos.
Referência: Informações adaptadas de CNN Brasil.
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