%2Fhttps%3A%2F%2Fi.s3.glbimg.com%2Fv1%2FAUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a%2Finternal_photos%2Fbs%2F2026%2FR%2FZ%2FkshA38TG2tM3VXoCOyKw%2Fnovo-projeto.jpg&w=3840&q=75)
Sol Sertão Online
Colunista
Um estudo realizado nos Estados Unidos revelou que mulheres com câncer de mama que utilizaram agonistas do receptor de GLP-1 — classe de medicamentos indicada para o tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade — apresentaram uma redução significativa no risco de morte e de recorrência da doença em até 10 anos de acompanhamento.
Os dados indicam que a mortalidade por todas as causas foi aproximadamente 60% menor, tanto em cinco quanto em dez anos, entre as usuárias de GLP-1 em comparação com mulheres que não utilizaram a medicação. A redução foi ainda mais acentuada quando o grupo foi comparado a pacientes que faziam uso de insulina ou metformina.
A análise avaliou dados de mais de 841 mil pacientes com câncer de mama atendidas em 68 organizações de saúde americanas entre 2006 e 2023. Após ajustes estatísticos, os pesquisadores compararam as usuárias de agonistas de GLP-1 com grupos que não utilizaram a medicação ou que receberam outros tratamentos para diabetes.
Embora os resultados sejam promissores, os autores ressaltam que, por se tratar de um estudo observacional, as descobertas mostram associações e não causalidade. Por isso, a realização de ensaios clínicos randomizados é defendida para confirmar os achados.
A obesidade e o diabetes tipo 2 são fatores que frequentemente resultam em um pior prognóstico no câncer de mama, com maior risco de progressão da doença e menor sobrevida. Especialistas apontam que a obesidade é responsável por cerca de 40% de todos os cânceres diagnosticados nos Estados Unidos, elevando o risco de 13 tipos diferentes da doença.
Os pesquisadores acreditam que os agonistas de GLP-1 podem oferecer benefícios que vão além do controle glicêmico, contribuindo para a perda de peso e melhora cardiovascular, fatores que influenciam positivamente os desfechos clínicos das pacientes.
O estudo também comparou os agonistas de GLP-1 com os inibidores de SGLT2, outra classe usada para diabetes, mas não encontrou diferença significativa nos índices de mortalidade ou recorrência entre esses dois grupos.
Se estudos prospectivos confirmarem essas associações, as descobertas poderão auxiliar na criação de orientações clínicas sobre a personalização do tratamento e o momento ideal para o uso de terapias com agonistas do receptor de GLP-1 em pacientes com câncer de mama e doenças metabólicas.
Referência: Informações adaptadas de G1.
Carregando autenticação...
Carregando comentários...