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Sol Sertão Online
Colunista
O governo brasileiro avalia que a reunião entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump atingiu um de seus objetivos centrais: ganhar tempo e evitar a imposição imediata de novas tarifas sobre produtos brasileiros. O encontro resultou na criação de um grupo de trabalho para discutir a questão tarifária, com um prazo inicial de 30 dias para a conclusão dos debates.
A medida é vista como uma vitória diplomática, pois o Brasil é alvo de investigações baseadas na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, que apura supostas práticas comerciais irregulares. Uma dessas investigações tinha prazo de término em julho, o que poderia abrir caminho para novas sanções antes mesmo do fim do mês.
Durante a reunião, houve tensões pontuais causadas por Jamieson Greer, representante-geral de Comércio dos Estados Unidos, que defendeu a aplicação de tarifas alegando que os impostos brasileiros sobre produtos americanos ainda são elevados. Em contrapartida, a equipe econômica brasileira, liderada pelos ministros Dario Durigan e Márcio Elias Rosa, argumentou que o Brasil apresenta um déficit comercial com os EUA entre US$ 20 bilhões e US$ 30 bilhões, não justificando a aplicação de sanções.
A investigação da Seção 301 abrange diversos temas, incluindo o sistema Pix, regras de proteção de dados, propriedade intelectual, acesso ao etanol americano e combate ao desmatamento ilegal. O governo brasileiro contesta o processo, classificando-o como um instrumento unilateral e incompatível com as normas da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Outro ponto relevante foi a discussão sobre minerais críticos. O Brasil, que possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo, busca atrair investimentos americanos. No entanto, o governo de Lula deixou claro que o interesse brasileiro não é apenas a exportação de matéria-prima, mas sim que as empresas dos EUA priorizem o beneficiamento desses minerais em território nacional.
Na pauta de segurança, o Brasil busca evitar que facções criminosas, como o PCC e o Comando Vermelho, sejam classificadas pelos Estados Unidos como organizações terroristas internacionais. Segundo o governo brasileiro, tal designação poderia abrir precedentes para intervenções de inteligência ou ações militares estrangeiras em solo nacional.
O presidente Lula entregou formalmente a Trump uma proposta de cooperação focada no combate à lavagem de dinheiro e ao tráfico de armas. O presidente brasileiro sugeriu, inclusive, a criação de um grupo de trabalho internacional, envolvendo países da América Latina, para enfrentar cartéis e organizações criminosas de forma conjunta.
Referência: Informações adaptadas de G1.
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