Caio Alves da Gama
Colunista
A atriz Bárbara Reis utilizou as redes sociais para compartilhar sua jornada de anos convivendo com sintomas como dor, hematomas e desproporção nas pernas, até finalmente receber o diagnóstico de lipedema. A condição, que afeta majoritariamente o público feminino, é uma doença crônica do tecido adiposo caracterizada pelo acúmulo desproporcional e simétrico de gordura, predominantemente nos membros inferiores e, por vezes, nos braços, diferenciando-se da obesidade por não se manifestar de forma generalizada.
Entre os principais sinais que acompanharam Bárbara Reis por um longo período estão a notável desproporção entre tronco e pernas, uma sensação persistente de peso, a facilidade em desenvolver hematomas e alterações na textura da pele, que pode apresentar um aspecto irregular, similar à “casca de laranja”. A dor é um dos pilares da doença, manifestando-se espontaneamente ou ao toque. A sensação de peso é frequentemente descrita pelas pacientes como se estivessem carregando um fardo extra.
Um ponto crucial que contribui para o subdiagnóstico é a frequente confusão do lipedema com a obesidade. Essa associação equivocada leva muitas mulheres a acreditarem que a condição está ligada à falta de esforço em dietas e exercícios, uma vez que a gordura associada ao lipedema é, em grande parte, resistente a essas medidas. Especialistas ressaltam que o lipedema é uma desordem com influências genéticas e hormonais, e não um reflexo do estilo de vida.
O diagnóstico do lipedema é clínico e ainda apresenta falhas significativas, o que explica por que muitas pacientes demoram anos para obter uma resposta. Não existe, até o momento, um exame específico para confirmar a doença; a avaliação se baseia na história clínica e no exame físico da paciente. A falta de conhecimento sobre o tema, inclusive entre profissionais de saúde, agrava essa situação.
Um indicativo clínico importante, e que também apareceu no relato da atriz, é o chamado "sinal do garrote". Essa característica se refere à interrupção do acúmulo de gordura na altura dos tornozelos, poupando os pés. Esse padrão de "degrau" entre a perna e o pé é um diferencial em relação à obesidade e ao linfedema, onde os pés geralmente são afetados.
Embora o lipedema não tenha cura, sua condição pode ser gerenciada através de um tratamento multidisciplinar individualizado. As estratégias incluem uma alimentação com foco anti-inflamatório, o uso de peças de compressão, fisioterapia e, em casos específicos, intervenções cirúrgicas. Quando adequadamente conduzido, o tratamento visa à redução dos sintomas, à melhora da mobilidade e, fundamentalmente, à recuperação da qualidade de vida das pacientes.
Referência: Informações adaptadas de G1.
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