
Sol Sertão Online
Colunista
O empreendedorismo familiar, quando aliado ao planejamento e ao respeito mútuo, torna-se uma poderosa ferramenta de crescimento. Dois casos exemplificam como a transição de gerações pode modernizar negócios e consolidar marcas no mercado: a Estética Gisa, no Rio Grande do Sul, e a Padaria Trevisan, em Porto Alegre.
Fundada na década de 1980 por Gislaine Reis, em Cruz Alta (RS), a Estética Gisa nasceu em uma época em que o setor ainda era pouco explorado. Com formação em massoterapia e cosmetologia, Gislaine iniciou seus atendimentos de forma domiciliar, utilizando apenas uma maca móvel. A dedicação e a qualidade dos serviços rapidamente transformaram o pequeno negócio em uma referência local.
A sucessão familiar aconteceu de forma gradual. Joice Reis Lopes, que acompanhava a rotina da mãe desde os 12 anos, assumiu a gestão da clínica há três anos. Atualmente, Joice é responsável pelas áreas financeira e de marketing, enquanto Gislaine mantém o atendimento a clientes pontuais.
Para Joice, o maior desafio da sucessão é a atualização de processos. A transição de anotações manuais para sistemas de gestão robustos exige paciência. Segundo a gestora, a chave para o sucesso nessa etapa é não impor mudanças, mas respeitar a experiência de quem fundou o negócio, estabelecendo limites claros entre a relação familiar e a sociedade profissional.
Já no ramo da confeitaria, Celiane e seu filho, Oigres Trevisan, construíram a trajetória da Padaria Trevisan através de muita resiliência. O início foi marcado por sacrifícios extremos: para viabilizar a produção em Porto Alegre, mãe e filhos chegaram a dormir no próprio espaço comercial, sobre caixas de papelão, para iniciar o trabalho nas primeiras horas da madrugada.
A determinação deu frutos e, após a conquista de um ponto próprio com melhor estrutura, a empresa expandiu significativamente. Hoje, com 10 anos de mercado, a padaria e cafeteria conta com uma equipe de 22 colaboradores. Oigres, que divide a operação com a mãe e a irmã Vithoria, gerencia desde a produção manual até a parte administrativa e de suprimentos.
Para Celiane, o maior mérito do negócio é ter proporcionado o crescimento profissional e pessoal de seus filhos dentro da empresa. Oigres destaca a importância de ter um ambiente onde é possível aprender e errar sob a orientação de alguém de confiança.
Ambos os casos convergem em um ponto fundamental: a necessidade de dosar a convivência. Tanto na estética quanto na panificação, a separação entre a vida doméstica e a rotina empresarial é apontada como o fator essencial para preservar a harmonia familiar e garantir a sustentabilidade do negócio a longo prazo.
Referência: Informações adaptadas de CNN Brasil.
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