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Início/Entreterimento
Juliana Linhares reflete sobre a exaustão moderna em novo álbum magistral
Entreterimento
Juliana Linhares lança o segundo álbum solo, 'Até cansar o cansaço', produzido por Elisio Freitas com direção artística de Marcus Preto — Foto: Elisa Mendes / Divulgação

Juliana Linhares reflete sobre a exaustão moderna em novo álbum magistral

SS

Sol Sertão Online

Colunista

11 de maio de 2026
5 min de leitura

Um retrato da alma contemporânea

A cantora, compositora e atriz potiguar Juliana Linhares consolida sua posição como um dos grandes nomes da música brasileira atual com o lançamento de seu segundo álbum solo, intitulado “Até cansar o cansaço”. A obra, concebida como um disco conceitual, mantém a coesão e o brilhantismo observados em seu trabalho anterior, “Nordeste ficção” (2021).

Com produção musical de Elisio Freitas e direção artística de Marcus Preto, o álbum mergulha no estado de exaustão da humanidade. Inspirada por vivências com o neurocientista Sidarta Ribeiro, a artista utiliza as 11 faixas para explorar a ansiedade e a depressão em um mundo hiperconectado, buscando, ao mesmo tempo, caminhos de libertação e recomeço.

Diálogos e raízes nordestinas

O disco celebra a linhagem feminina da música nordestina, traçando paralelos com ícones como Elba Ramalho, Marinês e Anastácia. Esta última participa da faixa “Vida virada”, um baião que clama pela urgência de viver e romper com a rotina massacrante do trabalho.

Outro destaque é a colaboração com a cantora baiana Agnes Nunes no xote “Tanto buliço”, onde o afeto surge como alternativa à solidão. O álbum ainda conta com a presença marcante de Ney Matogrosso na faixa “Mistério do óbvio”, que mistura o xaxam com guitarras roqueiras, trazendo leveza e profundidade ao repertório.

Versatilidade lírica e musical

A potência vocal de Juliana é evidenciada em canções como “Emaranhada” e “Tempos temporais”, composições de Juliano Holanda que transitam entre a acidez da realidade cotidiana e a melancolia lírica, enriquecida por arranjos de violoncelo e violino.

O repertório também presta homenagens a grandes compositores, incluindo Manduka em “Conseguiram, parabéns” e uma regravação da emblemática “A palo seco”, de Belchior. O encerramento do disco, com a faixa “Futuro (Novos erros) + Oração pro sonho”, amacia a tensão do álbum e convida o ouvinte a acreditar em novos começos.

“Até cansar o cansaço” apresenta-se como uma obra-prima imediata, equilibrando a crítica social e a angústia moderna com um sopro vital de esperança.


Referência: Informações adaptadas de G1 Pop & Arte.

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