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IPO da Compass: Cosan busca fôlego financeiro após sucessão de prejuízos e dívidas bilionárias
Economia
Cosan — Foto: Divulgação

IPO da Compass: Cosan busca fôlego financeiro após sucessão de prejuízos e dívidas bilionárias

SS

Sol Sertão Online

Colunista

12 de maio de 2026
5 min de leitura

A Compass, empresa do setor de gás e energia, estreou nesta segunda-feira (11) na bolsa de valores brasileira. A operação, no entanto, vai além de uma simples abertura de capital; ela representa uma tentativa estratégica da sua controladora, a Cosan, de mitigar uma crise financeira que impacta seus resultados há mais de dois anos.

Origem da crise e a aposta na Vale

O declínio financeiro da Cosan teve início entre o final de 2022 e o começo de 2023, fruto de decisões da gestão da época que priorizaram a expansão acelerada por meio de alto endividamento. Um dos movimentos mais críticos foi a aquisição de uma participação relevante na mineradora Vale no quarto trimestre de 2022, o que elevou a dívida bruta da companhia em 30%, atingindo a marca de R$ 70,7 bilhões.

A estratégia, que visava lucrar com dividendos e a valorização das ações, não surtiu o efeito esperado. A queda no preço internacional do minério de ferro e a alta da taxa básica de juros no Brasil tornaram a dívida mais onerosa, transformando o investimento em um custo elevado. Para tentar estancar as perdas, a Cosan vendeu mais de 33 milhões de ações da mineradora em abril de 2024, levantando cerca de R$ 2 bilhões.

O impacto da Raízen e prejuízos bilionários

Somando-se aos problemas com a Vale, a Raízen — joint venture entre Cosan e Shell — também entrou em colapso financeiro. Afetada por eventos climáticos que prejudicaram a produtividade agrícola e pelo cenário de juros altos, a empresa solicitou recuperação extrajudicial em março deste ano, com dívidas que superam os R$ 65 bilhões.

O reflexo direto no balanço da holding foi severo: a Cosan reportou um prejuízo líquido de R$ 9,4 bilhões em 2024.

Foco em caixa e sobrevivência

Diferente da maioria dos IPOs, que buscam capital para expansão, a estreia da Compass na bolsa teve como objetivo central reforçar o caixa e aliviar a pressão financeira sobre a holding. Com a conclusão da operação, a Cosan reduziu sua participação na Compass de 88% para aproximadamente 75%.


Referência: Informações adaptadas de G1.

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