
Sol Sertão Online
Colunista
O fluxo de capital estrangeiro na bolsa brasileira (B3) registrou uma queda expressiva de 87,9% desde o pico alcançado em janeiro. Embora o saldo de abril tenha fechado positivo em R$ 3,18 bilhões, o resultado marca o terceiro mês consecutivo de recuo após o recorde histórico de R$ 26,31 bilhões registrado no início do ano.
Apesar da desaceleração recente, o acumulado do ano permanece robusto. A B3 soma R$ 56,54 bilhões em entradas líquidas, valor que supera em mais do dobro o total registrado em todo o ano passado, que foi de R$ 25,47 bilhões.
Especialistas apontam que a perda de fôlego reflete as incertezas geopolíticas, especialmente os conflitos no Oriente Médio. O prolongamento das tensões e a resistência de Teerã, com o controle do Estreito de Ormuz, elevaram a percepção de risco e a imprevisibilidade sobre os impactos na economia global.
Um dado alarmante foi a saída acelerada de capital nos últimos dias de abril: entre os dias 22 e 30, houve a retirada de R$ 7,88 bilhões, movimento que sugere uma decisão coordenada de grandes alocadores de capital em um curto intervalo de tempo.
Além da crise internacional, o fortalecimento do mercado americano contribuiu para o freio do apetite por ativos brasileiros. A volta de recordes em Nova York, impulsionada por gigantes de tecnologia como Microsoft, Alphabet e Meta, atraiu investidores que anteriormente buscavam diversificação em mercados emergentes.
Soma-se a isso a postura rigorosa do Federal Reserve (Fed) em relação ao controle da inflação, mantendo a possibilidade de alta nos juros americanos, o que torna os títulos dos Estados Unidos e o dólar ativos mais resilientes e atraentes em tempos de crise.
Apesar do cenário de cautela, o Brasil continua sendo visto como um destaque entre as economias emergentes, favorecido pela oferta de commodities e sua posição de neutralidade global. A expectativa é que o fluxo de investimentos seja retomado assim que houver sinais claros de resolução dos conflitos internacionais e estabilidade econômica global.
Referência: Informações adaptadas de CNN Brasil.
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