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Sol Sertão Online
Colunista
A jornada de Penelope e Samuel para se tornarem pais foi marcada por anos de angústia e incertezas. Após dois anos e meio de tentativas, o casal descobriu que Samuel possui a síndrome de Klinefelter, uma condição genética que frequentemente resulta em azoospermia — a ausência ou baixa produção de espermatozoides no líquido ejaculado.
A gravidez do casal só foi possível graças ao sistema Star (Sperm Tracking and Recovery), uma tecnologia de ponta desenvolvida pela Universidade de Columbia, nos Estados Unidos. O sistema utiliza inteligência artificial (IA) para rastrear e localizar espermatozoides "escondidos", que muitas vezes passam despercebidos em exames convencionais.
A inspiração para a criação da ferramenta veio da astronomia. Zev Williams, diretor do Centro de Fertilidade da Universidade de Columbia, observou que a IA usada por telescópios para encontrar novas estrelas em imensas quantidades de dados poderia ser aplicada à medicina. Da mesma forma que astrônomos buscam objetos raros no céu noturno, o sistema Star busca células raras em amostras biológicas.
O funcionamento baseia-se em chips microfluídicos com canais ultrafinos, onde a amostra de sêmen flui enquanto é escaneada por um dispositivo de imagem a 300 quadros por segundo. Um algoritmo de aprendizado de máquina analisa as imagens em tempo real, diferenciando espermatozoides de detritos celulares.
De acordo com Williams, a precisão do sistema é impressionante: a tecnologia consegue encontrar até 40 vezes mais espermatozoides do que uma busca manual realizada por técnicos treinados. Em testes recentes com 175 pacientes, a equipe conseguiu identificar espermatozoides em quase 30% dos casos de homens que anteriormente haviam sido informados de que não tinham chances de ter filhos biológicos.
A infertilidade é um problema global que afeta cerca de uma em cada seis pessoas em idade reprodutiva, sendo que o fator masculino contribui em até 50% dos casos. No caso de Samuel, que não produzia espermatozoides no ejaculado, foi necessária uma cirurgia de extração testicular. A amostra foi processada pelo sistema Star, que isolou oito espermatozoides, permitindo a fertilização de um óvulo de Penelope.
Além da localização de gametas, a IA já está sendo aplicada na fertilização in vitro (FIV) para personalizar a dosagem de hormônios na estimulação ovariana e aprimorar a seleção de embriões. No entanto, a comunidade médica mantém a cautela.
A professora Siobhan Quenby, da Universidade de Warwick, ressalta que, embora a inovação seja promissora, são necessários ensaios clínicos em larga escala para avaliar a eficácia a longo prazo e evitar promessas exageradas a casais em situação de vulnerabilidade emocional.
Para Samuel e Penelope, a tecnologia trouxe mais do que a ciência: trouxe a esperança. Com a gestação evoluindo positivamente, o casal agora aguarda o nascimento do filho, previsto para julho, celebrando uma vitória possibilitada pela convergência entre a medicina e a inteligência artificial.
Referência: Informações adaptadas de G1.
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