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Sol Sertão Online
Colunista
Dubai, que consolidou sua imagem como um oásis de estabilidade e um centro financeiro estratégico no Oriente Médio, enfrenta agora um momento de fragilidade. A reputação do emirado como refúgio seguro para o capital global foi abalada pelas tensões crescentes entre Estados Unidos, Israel e Irã.
Ataques iranianos com mísseis e drones provocaram um impacto imediato nos mercados acionários de Dubai e Abu Dhabi, com perdas iniciais estimadas em 120 bilhões de dólares (R$ 598 bilhões). O setor turístico também sofreu perdas drásticas: a taxa de ocupação hoteleira despencou de patamares habituais de 70% ou 80% para apenas 20%, enquanto o fluxo de voos no Aeroporto Internacional de Dubai recuou cerca de dois terços.
A recente investida de drones contra o complexo petrolífero de Fujairah, ocorrida em 4 de maio, reforçou a percepção de risco para investidores internacionais e empresas sediadas na região, evidenciando que a reputação de polo global de negócios está sob ameaça.
Diante da instabilidade, indivíduos de altíssimo patrimônio começaram a questionar a segurança do emirado. A tendência agora é o chamado "hibridismo estratégico": manter as operações comerciais em Dubai, mas transferir a riqueza de longo prazo e estabelecer residências secundárias em centros como Singapura e Suíça.
Enquanto a Suíça é vista como o porto principal para a preservação de capital devido à sua neutralidade histórica e distância de focos geopolíticos, Singapura atrai aqueles que buscam capturar o crescimento econômico da Ásia através de estruturas sofisticadas de family offices.
O boom imobiliário, que viu o preço de mansões de luxo quase dobrar entre a pandemia e o fim de 2024, começa a dar sinais de retração. Em março, o valor total das transações residenciais caiu quase 20%, totalizando cerca de 10,1 bilhões de dólares. Projeções do Citi Research e da Knight Frank sugerem que o mercado pode enfrentar uma correção de preços entre 7% e 15%.
Apesar dos desafios, Dubai ainda detém atrativos poderosos, como a isenção de imposto de renda para pessoas físicas e um imposto corporativo reduzido de 9%. O emirado registrou um crescimento do PIB de 4,7% nos primeiros nove meses de 2025 e atraiu um recorde de 9.800 milionários no último ano, movimentando 63 bilhões de dólares em nova riqueza.
Com a manutenção de projetos audaciosos — como a passarela climatizada "The Loop", a criação de recifes artificiais e a expansão de seu hub de aviação — analistas acreditam que, se a confiança for retomada, a cidade poderá se recuperar rapidamente e cumprir a meta de dobrar sua economia até 2033.
Referência: Informações adaptadas de G1.
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