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Sol Sertão Online
Colunista
O lenacapavir, medicamento injetável com eficácia próxima de 100% na prevenção do HIV, já foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), mas ainda não possui data para ser disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O principal entrave no momento é regulatório: a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) precisa fixar o preço máximo do fármaco, etapa essencial antes de qualquer análise de incorporação ao sistema público.
O prazo para a definição desse valor encerra-se no dia 3 de junho, caso não haja interrupções técnicas. Somente após a precificação é que a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) poderá avaliar a eficácia, a segurança e a custo-efetividade do medicamento para emitir um parecer ao Ministério da Saúde.
Especialistas alertam que o valor do medicamento pode ser o maior obstáculo para a oferta gratuita. Nos Estados Unidos, o tratamento anual custa entre US$ 25,3 mil e US$ 44,8 mil (aproximadamente R$ 136 mil a R$ 241 mil). Embora a farmacêutica Gilead Sciences afirme que a precificação no Brasil seguirá critérios técnicos, a situação é agravada pelo fato de o Brasil não ter sido incluído nos acordos de licenciamento para a produção de versões genéricas.
Estudos indicam que uma versão genérica do lenacapavir poderia custar entre US$ 25 e US$ 47 por ano, o que tornaria a implementação no SUS significativamente mais viável.
Diferente da Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) oral, que exige uso diário ou sob demanda, o lenacapavir é administrado apenas duas vezes por ano. O medicamento atua bloqueando o capsídeo do vírus, a estrutura que protege seu material genético, impedindo a infecção das células humanas e a replicação do vírus.
Atualmente, o Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI) da Fiocruz coordena o estudo ImPrEP LEN Brasil, que avalia a implementação do medicamento na rotina de serviços de saúde em sete cidades, incluindo Salvador (BA), São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Florianópolis (SC), Manaus (AM), Campinas (SP) e Nova Iguaçu (RJ). O projeto visa incluir 1.500 participantes, focando especialmente em populações com maior vulnerabilidade.
A expectativa é que o lenacapavir não substitua a PrEP oral, mas atue como uma ferramenta adicional na prevenção combinada. Por sua longa duração, ele é visto como uma alternativa ideal para pessoas que enfrentam barreiras logísticas ou sociais para manter o uso diário de comprimidos.
Se incorporado, o medicamento deve ter uma implementação gradual, priorizando grupos de alto risco e contextos onde as estratégias atuais apresentam limitações de adesão.
Referência: Informações adaptadas de G1.
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