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Sol Sertão Online
Colunista
Enquanto a população de Cuba sofre com apagões constantes, escassez de alimentos e medicamentos, um conglomerado empresarial vinculado às Forças Armadas do país administra secretamente bilhões de dólares. A Gaesa (Grupo de Administración Empresarial S. A.) opera sem website, sem canais oficiais de contato e sem publicar balanços financeiros, mantendo-se invisível ao orçamento estatal e imune a auditorias da Controladoria Geral da República.
Documentos revelam que, em 2024, a holding possuía ativos avaliados em pelo menos US$ 17,9 bilhões (aproximadamente R$ 89,4 bilhões), dos quais US$ 14,4 bilhões estavam depositados em contas bancárias. Para se ter uma dimensão da magnitude desse império, essa fortuna é superior às reservas internacionais de nações inteiras, como Equador, Paraguai ou República Dominicana.
Esse cenário contrasta drasticamente com a realidade do país, que apresenta uma queda de 15% no PIB nos últimos cinco anos. Estima-se que quase 90% dos cubanos vivam em condições de pobreza extrema ou apenas para a sobrevivência, agravadas por sanções econômicas e um sistema energético falido.
A Gaesa surgiu na década de 1990 para gerir negócios em moeda estrangeira durante a crise pós-queda da União Soviética. Com o tempo, transformou-se em um colosso que monopolizou as atividades mais rentáveis da ilha, incluindo: turismo, telecomunicações, comércio exterior, remessas financeiras e missões médicas no exterior.
A holding controla empresas estratégicas como a Cimex e a operadora de internet Etecsa, além do Banco Financeiro Internacional (BFI), que processa as transações de Cuba com o mundo. A rentabilidade do grupo é surpreendente, com margens de lucro que chegam a 38%, resultado da ausência de concorrência e de uma estratégia financeira onde a receita é em dólares, mas os salários são pagos em pesos cubanos, moeda severamente desvalorizada.
O comando da Gaesa é extremamente obscuro. Especialistas indicam que o poder está concentrado em um grupo seleto de cerca de 15 pessoas, compostos por figuras incondicionais e próximas ao entorno familiar de Raúl Castro. A opacidade é tamanha que tentativas de auditorias internas ou questionamentos sobre a gestão financeira resultaram, historicamente, no afastamento de ministros e controladores do Estado.
O impacto dessa economia paralela é sentido diretamente na miséria da população. Enquanto a Gaesa investe em hotéis imponentes e luxuosos em Havana, setores vitais como a agricultura e a infraestrutura elétrica são negligenciados. Atualmente, Cuba produz apenas 20% dos alimentos que consome.
Analistas apontam que os recursos acumulados pela holding seriam suficientes para modernizar a rede elétrica e revitalizar a produção agropecuária, mas a prioridade do conglomerado militar permanece na captação de divisas para a elite do regime, mantendo o Estado em bancarrota enquanto o império militar prospera.
Referência: Informações adaptadas de G1.
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